Duas a cada três mulheres que buscaram atendimento médico após um caso de violência doméstica relataram que já tinham sofrido agressões anteriores. O dado, relativo a registros de 2024 no Brasil, faz parte do Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao todo, 186,1 mil mulheres foram atendidas após violência doméstica naquele ano. Entre elas, 100,8 mil, o equivalente a 276 casos diários, disseram que a agressão já tinha ocorrido ao menos uma outra vez anteriormente. O número representa 66,2% do total de ocorrências com resposta válida; outras 51,4 mil, correspondente a 33,8% disseram que aquele era o primeiro episódio. Houve ainda 33,8 mil casos em que não foi possível obter resposta. Os números ajudam a desenhar um retrato persistente da violência doméstica no Brasil, conforme indicam especialistas: ela raramente aparece como um episódio isolado. Começa com ameaças, avança para agressões, passa por momentos de aparente reconciliação e retorna de forma mais intensa. Muitas vezes, esse ciclo termina em feminicídio.