Em poucos dias, toda a área em torno do Santuário Diocesano de Nossa Senhora D’Abadia de Muquém, no município de Niquelândia, norte de Goiás, se transforma. Para a mais antiga romaria religiosa do estado, centenas de barracas são levantadas num piscar de olhos para abrigar famílias e um comércio pulsante. Em 2023, a festa religiosa completa 275 anos, e o calor escaldante de agosto não afugenta os devotos. A previsão é que esta será a maior romaria dos últimos tempos à Vila de Muquém, por onde devem passar até o dia 15, 500 mil devotos, o dobro do ano passado. Por duas vezes secretária de Cultura de Niquelândia, a pedagoga Ana Mathilde Martins de Souza, 61 anos, é uma apaixonada pela história da romaria. Filha de Niquelândia, ela relata que as narrações lendárias e a longevidade da romaria religiosa sempre a impressionaram muito. Embora haja muitas versões, ela se apega na história de que o local de devoção foi um dia um quilombo, formado por escravos foragidos de minas auríferas da região. Eles viviam em paz com um português que explorava ouro na região e para afugentar a fiscalização de um capitão-do-mato enviado pelo rei, prometeu a Nossa Senhora D’Abadia que a cultuaria.