Vivendo em uma casa cercada por plantas, em uma rua tranquila de Aparecida de Goiânia, Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos, convive diariamente com a memória do que perdeu. Mãe de uma das vítimas diretas do acidente radiológico com o césio-137, Leide das Neves Ferreira, que tinha apenas 6 anos à época, ela conta que os últimos anos têm sido marcados por dificuldades financeiras e pelo avanço de problemas de saúde. Atualmente, após os descontos de empréstimos, restam R$ 1,2 mil, somando as pensões dos governos estadual e federal. Ao POPULAR, Lourdes afirma que produções como a minissérie Emergência Radioativa, lançada pela Netflix, ajudam a manter viva a lembrança da tragédia e a pressionar autoridades por demandas como o reajuste anual da pensão estadual (leia mais ao lado). Também denuncia que os serviços oferecidos pelo Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara) e pelo Instituto de Assistência dos Servidores Públicos do Estado de Goiás (Ipasgo) têm se deteriorado.