A jornalista Mirian Tomé foi a primeira a fazer uma reportagem sobre o acidente radiológico com o césio 137 em Goiânia, em 1987. Na época repórter da TV Anhanguera, ela foi cobrir um suposto vazamento de gás no ferro-velho, onde entrevistou o dono do local, Devair Alves Ferreira, e sua esposa, Maria Gabriela Ferreira, que já estavam passando mal pelo contato com a substância. Ao POPULAR, nesta segunda-feira (6), ela defendeu que a imprensa foi fundamental na defesa dos atingidos pela radiação. “A imprensa foi uma aliada das vítimas, toda a imprensa se solidarizava. A gente criou um carinho por eles, porque estava o dia inteiro na rua convivendo com eles. Eu quase virei vítima, eu me envolvi muito com eles, e toda vez que eu ia, eu sofria muito por causa disso”, disse. Mirian disse que só soube que se tratava do césio 137 no dia seguinte à reportagem, quando encontrou os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) na Vigilância Sanitária. Segundo ela, o então diretor do Departamento de Instalações Nucleares da Cnen, José de Júlio Rozental, detectou que seus sapatos estavam infectados e ela teve de se desfazer deles.