O ex-secretário de Saúde de Pires do Rio, Assis Silva Filho, também foi vacinado contra a Covid-19, segundo depoimentos de testemunhas ao Ministério Público de Goiás, ouvidas na segunda-feira (25).Ao todo, segundo o MP, o promotor de Justiça Marcelo Borges Amaral ouviu seis pessoas, todas trabalham para a secretaria de Saúde do município. Elas revelaram que o então secretário usou da condição hierárquica de gestor para ordenar a vacinação fora dos grupos prioritários iniciais.Imunizou a esposa fora do grupo prioritárioO então secretário, Assis Silva, fez um pronunciamento ao vivo pelas redes sociais pedindo desculpas por ter furado a fila da vacina para que a esposa fosse imunizada. Ela não está no grupo prioritário desta etapa da vacinação. “Peço a (Deus), imploro a ele que aceite minhas escusas”, diz ele no vídeo, ao lado da esposa. “Foi com o intuito apenas de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida”, completa.O secretário também justificou que a esposa tem mais de 70 anos e costuma acompanhá-lo em trabalhos de visitas que faz às unidades de saúde do município. No entanto, as diretrizes do Ministério da Saúde não listam idosos que não estejam institucionalizados nesta primeira fase do programa de imunização.Terceira pessoaAlém dele e da esposa, as testemunhas indicaram que uma terceira pessoa fora da lista de prioridades teria sido beneficiada com essa ordem de furar a fila. Essa pessoa foi imunizada em casa. Eles também afirmaram que se sentiram coagidos, pressionados pelo ex-secretário a realizar as imunizações indevidas.ExoneraçãoAssis Filho pediu exoneração do cargo no domingo após a repercussão causada pela vacinação da esposa fora da fila prioridades.Com a coleta dos depoimentos, a expectativa do promotor Marcelo Amaral é concluir o procedimento investigatório criminal em relação ao ex-secretário até o fim desta semana, com a definição das providências que serão levadas à Justiça.