Ao menos três arrastões em menos de um mês deixaram clientes de bares assustados e empresários preocupados. Donos de estabelecimentos comerciais em Goiânia denunciam que está ocorrendo uma onda de arrastão em setores nobres da Capital. O caso mais recente aconteceu na noite de quarta-feira, quando três homens armados invadiram o Conversa de Boteco, localizado no Setor Marista, nas proximidades da Praça do Ratinho.Na semana passada foi a vez do restaurante Caranha na Brasa, localizado na Avenida R-11, Setor Oeste, e no dia 15 de abril o arrastão aconteceu no Rochinha Bar, também na R-11.Não houve feridos no assalto ao Conversa de Boteco. De acordo com clientes, jovens com idade entre 20 e 30 anos deram voz de assalto aos frequentadores do local. As proprietárias afirmam que eram adolescentes. O pai de uma das proprietárias do bar, Andrada Márcio Canuto Natal, relatou ao POPULAR que o bar havia sido arrombado e roubado há 20 dias. “Ontem a violência foi mais grave porque os ladrões estavam armados, ameaçando os clientes e sem máscara, agindo livremente”, afirma.O produtor cultural Osvaldo Lélis estava no local no momento do crime. Ele disse que assim que o assalto foi anunciado, muitos clientes se apavoraram e houve um princípio de confusão. Os criminosos levaram principalmente celulares e dinheiro - um deles foi ao interior do bar recolher dinheiro do caixa. A publicitária Fernanda Vigano e três amigos viram um assaltante ameaçando uma cliente na mesa ao lado da deles. “Deu tempo de correr e escondemos em um deposito dentro do bar”, contou Fernanda, que ficou muito assustada.Com a confusão, vários clientes acabaram se refugiando em um restaurante japonês vizinho ao bar. Os suspeitos foram atrás deles e também tentaram assaltar o estabelecimento. Chegaram a colocar a arma na cabeça do sushiman e a exigir dinheiro. “Alguns clientes acabaram se escondendo dentro do escritório, em pânico”, relata o dono do estabelecimento. Os criminosos acabaram deixando o restaurante e fugiram a pé.Após a ação dos bandidos, a Polícia Militar (PM) esteve no local. Os policiais fizeram uma ronda nas proximidades e encontraram o smartphone de um dos clientes nas imediações da Avenida 136, provavelmente descartado por ter sistema de rastreamento. Ainda não há pistas da identidade ou da localização dos bandidos.“Ação burocrática”Na opinião de Natal, a ação da polícia após o assalto foi “burocrática, sem nenhum interesse”. Segundo ele, “a vontade de alcançar os bandidos era quase zero”. O mesmo comportamento burocrático Natal conta ter encontrado na Polícia Civil no dia seguinte, quando foi registrar a ocorrência. “A violência no Setor Marista está insuportável e nós estamos totalmente sem proteção”, afirma. De acordo com Natal, a ronda da Polícia Militar não tem intimidado os ladrões.“Estamos pensando em contratar vigilância armada, o que não é função de comerciante, porque a ação da polícia não tem eficácia”, reclama.Na semana passada, o bar e restaurante Caranha na Brasa, localizado na Avenida R-11, no Setor Oeste, também sofreu com ação semelhante. Três bandidos armados abordaram os clientes por volta da meia noite. Anunciaram o assalto e tomaram celulares, dinheiro e até alianças dos cerca de 30 clientes que estavam no local.Os bandidos fugiram a pé e descartaram os smartphones com sistema de rastreamento. Um dos sócios do estabelecimento, Agenor Souza, diz que as câmaras de segurança do bar registraram a ação dos bandidos. “Um dos celulares que levaram, e que não foi descartado, tinha rastreador e mostrou que eles fugiram para a Avenida Rio Verde e depois para o setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia.Em meados de abril, dois homens armados com revólveres invadiram o Rochinha Bar, também na Avenida R-11, no Setor Oeste, rendendo clientes e funcionários e realizando um arrastão depois de dispararem tiros para o alto. Ninguém ficou ferido. Os bandidos levaram pelo menos um smartphone.