Preocupado com o avanço do novo coronavírus em Aruanã, o prefeito Hermano de Carvalho (PSDB) encaminhou uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para Porto Feliz (SP) para obter mais informações sobre o uso de medicamentos como a ivermectina, cloroquina e azitromicina como forma de prevenir casos graves do novo coronavírus. Em Porto Feliz, o conjunto de medicamentos é usado desde março e ganhou o apelido de kit Covid. Hermano disse que vai esperar o retorno da equipe para saber se é possível distribuir estes medicamentos para possíveis novos casos da cidade ou para a população como forma de prevenção.Hermano diz que tem se preocupado com novos casos da doença e que práticas que tenham sido eficientes em outras cidades não serão descartadas. “Mas preciso saber da minha equipe técnica se realmente é uma possibilidade ou se é apenas um teste, um ensaio. Caso seja uma possibilidade, não descarto lançar mão do uso destes medicamentos para tentar minimizar os prejuízos e transtornos da doença por aqui.”O farmacêutico especialista em toxicologia, Flaubertt Santana faz alerta sobre o uso de medicamentos sem a orientação de um médico ou de um farmacêutico. Ele destaca que a ivermectina, por exemplo, é um fármaco antiparasitário que tem sido estudado, mas que ainda não existem evidências científicas de eficácia. Ele afirma que os testes para uso destes medicamentos contra o novo coronavírus ainda são preliminares e que seu uso em doses elevadas ou abusivas pode levar a problemas como diarreia, vômitos e problemas neuromusculares.Santana que também é conselheiro do Conselho Regional de Farmácia e mestre em Ciências Farmacêuticas detalha que a ivermectina é um remédio que atua nos nervos dos vermes e que tem afinidade pelo sistema nervoso central humano, o que pode levar à fraqueza. Ele destaca que a automedicação pode ser arriscada e para o uso deste medicamento, é necessário orientação. Além disso, o farmacêutico não recomenda o uso como prevenção da doença porque ainda não existem dados satisfatórios de seus resultados, nem segurança sobre sua atividade antiviral. O que se tem até agora é que em estudos de testes realizados in vitru desse remédio, que apresentou redução do material genético de vírus, como da dengue, Covid-19 e até HIV, mas que ainda não existem evidências científicas em humanos e nada específico sobre o novo coronavírus.O farmacêutico diz que os outros medicamentos já possuem mais estudos relacionados, como por exemplo a azitromicina que é um antibiótico e pode controlar infecções secundárias que um paciente infectado pelo vírus Sars-CoV-2 pode apresentar, especialmente no início. Mas ele destaca que esse uso deve, necessariamente, ser utilizado com acompanhamento médico e o abuso pode levar à resistência bacteriana. Existem estados e países, como Peru e Bolívia, que já usam esse medicamento em protocolos para tratamento da Covid-19.Sobre a cloroquina ou hidroxicloroquina, ele destaca que existem diversos casos de recomendação ou de recusa na prescrição. “É difícil pedir para que as pessoas esperem, mas na medicina nem sempre as respostas são rápidas. Dos três medicamentos, a ivermectina é a que tem menos estudos relacionados e, por isso, não justifica o uso profilático no momento.” Decreto que cancela temporada já valeO decreto que impede turismo em Aruanã neste mês já está valendo. A entrada da cidade já conta com a presença de policiais militares que orientam sobre a regra, que prevê multa de até R$ 500 mil para descumprimento. Com isso, neste ano a tradicional Temporada do Araguaia está cancelada, assim como a realização dos acampamentos, eventos com shows musicais, festas, caminhadas ecológicas, passeios ciclísticos, corridas, espetáculos e qualquer outra atividade que aglomere pessoas na cidade ou ao longo do rio.Prefeito da cidade, Hermano de Carvalho (PSDB) diz que fica triste com a situação, especialmente porque os eventos já vinham sendo programados desde o ano passado. “A cidade gira em torno dessa temporada, mas como estamos em pandemia, não temos o que discutir. É uma doença séria e precisamos fazer a nossa parte para tentar conter o avanço do vírus. Todas as cidades precisam fazer a sua parte. Aruanã talvez seja a cidade que mais tem colaborado neste sentido, neste mês deixaremos de receber 450 mil pessoas.”O prefeito diz que a cidade terá, neste mês, cerca de 50 mil pessoas. “Tem muita gente que já está aqui desde o início da pandemia, outras foram chegando e tem as que vêm só em julho, mas que tem propriedade aqui e não podemos impedir o acesso. O que nós temos pedido é para que evitem aglomerações e tomem todos os cuidados necessários para que o contágio não aumente.” Aruanã tem cinco casos confirmados do novo coronavírus e mais três suspeitos. Dez já foram descartados.O prefeito garante que a fiscalização será rigorosa. “Como tenho sempre dito, somos uma cidade pobre, sem recursos. Ter muitos casos da doença aqui pode ser um risco muito grande. Precisamos do apoio dos moradores regulares e dos que vêm em temporadas. Façam uso de máscaras, lavem sempre as mãos. Todo o leito do rio terá fiscalização contínua e precisamos de respeito às regras que valerão por todo o mês de julho.Quero dizer que tudo que estamos fazendo é para que tudo isso passe logo e que, no próximo ano todos possam novamente visitar nossa cidade.”As medidas de contenção da pandemia preveem multas que podem variar de R$ 1 mil a R$ 500 mil. Só estão permitidas atividades individuais ou unifamiliares, desde que os participantes sejam moradores ou tenham casa na cidade e apresentem atestados de não infecção ou de imunização à doença com data dos últimos 15 dias antes da abordagem nas barreiras sanitárias que serão montadas nas cidades da Bacia do Rio Araguaia.