“Quando comecei a receber as mensagens, foi um incentivo a mais. Achei uma iniciativa bem interessante porque, além do apoio dos nossos pais, a gente precisa do apoio da escola também. Ver que o Estado se preocupou é muito valioso”, conta Luyza Fernanda Mendonça da Silva, de 17 anos, que cursa a 2ª Série do Ensino Médio no Colégio Estadual Doutor Genserico Gonzaga Jaime, em Anápolis. Luyza diz que as mensagens a ajudaram a ter ânimo para seguir a rotina pesada de estudos em casa. “Não posso reclamar pois sou privilegiada. Tenho tudo que preciso, como computador, internet e celular. Mas, mesmo assim, em alguns momentos fiquei desanimada”, admite.Quando estava tendo aulas, por estudar em um colégio integral, Luyza tinha uma rotina de estudos longa. Acordava às 7 horas da manhã e assistia às aulas até o meio-dia. Depois, entre às 13h30 e às 17 horas, era acompanhada por professores nos estudos complementares. “Foi difícil estudar dessa maneira, porque na escola a gente tinha atenção totalmente focada nos estudos. Em casa é fácil se distrair. Por isso, as mensagens foram importantes, me trouxeram para o foco de novo”, relata a estudante, que pretende cursar medicina. “Algumas vezes, pensei em abandonar esse ano letivo por conta de momentos de cansaço e esgotamento. Porém, sou uma pessoa que tem objetivos difíceis de alcançar e sei que preciso continuar firme nos estudos”, diz.A estudante afirma que se sente privilegiada de ter recebido as mensagens de texto e o apoio da escola durante este momento de aulas não presenciais. “Sei que minha escola me proporcionou algo muito diferenciado. Conversei com vários colegas meus que estudam em outras escolas que não tiveram o mesmo apoio”, diz. De acordo com ela, esse acompanhamento de perto foi essencial durante este ano letivo. “Foi um momento em que tudo mudou e continuar estudando foi muito difícil. Sou muito grata de ter conseguido terminar este ano e sei que sozinha não teria conseguido”, finaliza Luysa. Expectativa é de expansãoA intenção da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) é dar continuidade ao projeto de envio de mensagens de texto para estudantes e responsáveis pelos alunos em 2021 nas escolas de ensino integral. “O resultado foi muito bom”, diz a superintendente de Educação Integral da Seduc, Márcia Antunes. De acordo com ela, a possibilidade de expandir o projeto para as outras escolas da rede também existe. O Instituto Sonho Grande também tem interesse em continuar com o projeto em 2021. “Nós percebemos que isso realmente gera impacto na vida dos estudantes”, diz a gerente de Relações Públicas do instituto, Mariana Polidorio.As aulas presenciais da rede estadual de ensino de Goiás devem voltar em janeiro de 2021 no esquema de rodízio com 30% da capacidade de alunos, ou seja, os alunos da rede continuarão assistindo aulas não presenciais até que a totalidade de alunos em sala de aula seja liberada, o que só acontecerá depois que 100% dos alunos e funcionários escolas forem vacinados contra o coronavírus (Sars-CoV-2). Márcia afirma que, além do envio das mensagens, outras estratégias para segurar a frequência dos alunos em 2021 têm sido desenvolvidas. “Uma preocupação muito grande que temos é o que será desses alunos em 2021. Por isso, também estamos capacitando mães líderes de turma que possam liderar outras famílias na intenção fazer com que esses estudantes não abandonem os estudos”, afirma. Professores também sentiram impactoProfessores da rede estadual relatam que também sentiram os resultados do projeto. “Foi possível ver a diferença no segundo semestre. Muito alunos relataram que receberam essas mensagens durante as férias e aproveitaram esse período para se organizarem e estudarem”, afirma a professora de matemática e física do Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Cultura e Cooperativismo, na Cidade Jardim, em Goiânia, Lorena Lima, sobre as mensagens de texto enviadas para os estudantes. “Sou tutora de alguns alunos e criamos um laço muito forte. Muitos deles tiveram que começar a trabalhar durante a pandemia para ajudar em casa e estavam entristecidos. Eles falaram que, ao receber a mensagem, criaram ânimo para estudar novamente”, relata.Lorena diz que o ensino não presencial foi muito difícil tanto para os profissionais, quanto para os alunos. De acordo com a professora, essas mensagens auxiliam muito os professores a dar continuidade no contato próximo com os estudantes e também a estimulá-los. “Tenho uma aluna que me contou que iria voltar a estudar só ano que vem, mas recebeu uma mensagem falando sobre a importância de resgatar o projeto de vida dela e decidiu finalizar o ano letivo”, afirma. A professora acredita ainda que o envio das mensagens poderia ser estendido para os professores, coordenadores e diretores. “Nós também estamos nos desdobrando para conseguir fazer esse modelo de ensino dar certo. Receber mensagens de ânimo e estímulo como essa seriam muito importantes para nós e seria uma forma de entendermos que o Estado também valoriza e entende a importância da continuidade do nosso trabalho”, afirma.