Em um dia qualquer de 1952 ou 1953, não se sabe ao certo, Padre Pelágio Sauter batizava crianças na Igreja Matriz de Trindade, também conhecida como Matriz do Divino Pai Eterno. Como era de praxe, antes de derramar a água benta sobre a testa dos pequenos, perguntava o nome do batizando. “Valdete”, respondeu uma mãe. “Vamos colocar o nome de Nossa Senhora? Vai ser Valdete Maria”, rebateu Pelágio. Assim Valdete se tornou não só homônima da mãe de Jesus, como o sobrenome indicava que ela era dos Santos. Valdete Maria dos Santos, 74 anos, faz jus ao nome cristão e frequenta todos os dias a Matriz de Trindade. A assiduidade é tamanha que se tornou trabalhadora do templo há 30 anos, como auxiliar. “Amo muito aqui, ajudo na igreja. Eu venho agora na novena, ajudo na coleta, na cozinha dos padres”. A dois dias do início da romaria de Trindade, quem a vê chegando debaixo do sol quente, calça jeans, tênis Olympikus, garrafinha d’água e bolsa adornada com as fitinhas do Divino Pai Eterno, pensa se tratar de uma romeira que decidiu se antecipar. Mas, quando perguntada, ela já trata de avisar: “Sou trindadense, nascida aqui, batizada por Padre Pelágio.”