A operação envolvendo forças policiais de Goiás e do Distrito Federal na busca e captura de Lázaro Barbosa de Sousa, durante 20 dias de junho do ano passado, em Cocalzinho de Goiás, no Entorno do DF, é o foco de uma briga que alcançou a campanha de três candidatos a deputado federal ligados à Segurança Pública. A troca de acusações e indiretas envolvem o ex-secretário estadual da área, Rodney Miranda (Republicanos), o coronel da PM Benito Franco (PL) e o tenente-coronel Edson Luís Souza Melo Rocha (Avante).Rodney e Edson têm usado a operação em suas respectivas campanhas. O primeiro se colocando como o comandante dela e o segundo como o policial que matou o suspeito. Ambos usam imagens feitas por emissoras de televisão e pelos próprios policiais para propagar os próprios feitos. O coronel Benito também esteve na ação, mas foi mandado de volta para Goiânia antes da conclusão sem que a SSP se pronunciasse a respeito.Lázaro era acusado de matar uma família em Ceilândia (DF) no dia 9 de junho e na fuga teria cometido uma série de crimes, de assassinatos a roubos. A busca por ele ganhou repercussão nacional, atraindo dezenas de jornalistas para Cocalzinho. O suspeito foi morto com pelo menos 38 tiros em uma mata na zona rural de Águas Lindas no dia 28 do mesmo mês. É dito que mais de 1 mil policiais participaram da ação.Acusações em liveNa noite de 1º de junho, o coronel Benito esteve em uma live junto com o candidato a governador Major Vitor Hugo e o deputado estadual e candidato a reeleição Major Araújo, ambos do PL, mesmo partido do coronel, e fez uma série de acusações apontando falhas na operação coordenada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). Na época, Benito estava no comando da Rotam e Rodney era o titular da SSP.O coronel conta que a prisão poderia ter ocorrido ainda antes de a força-tarefa ser oficializada, se a SSP tivesse autorizado o envio de um helicóptero no momento em que foi feito um primeiro cerco assim que Lázaro entrava nas divisas de Cocalzinho. Segundo ele, foi dada uma “desculpa estranha” e Rodney não autorizou o envio. O helicóptero seria usado para manter Lázaro parado no esconderijo até que os policiais o capturassem. “Uma ocorrência (que poderia ser) normal, coisa de três, quatro dias.”Benito também criticou o que ele chama de uso político da operação por candidatos nestas eleições, principalmente o ex-secretário. Além disso, na live, que durou cerca de uma hora e 20 minutos, foi feita uma série de acusações sobre ingerências no trabalho da Polícia Militar, contra Rodney, o atual secretário de Segurança Pública, coronel Renato Brum, e o delegado-geral da Polícia Civil, Alexandre Lourenço.Já as críticas ao tenente-coronel foram de forma mais indireta, quando o major Vitor Hugo questionou se “as pessoas que dizem por aí” que estavam no suposto confronto em que Lázaro foi morto “estavam ou não na hora”. Neste momento, o coronel Benito preferiu apenas insinuar que há algo para ser apurado neste caso, mas que seria leviano da parte dele falar algo sobre.No entanto, dois dias antes, coronel Benito publicou nas redes sociais um vídeo em que afirma que Edson não atuou na SSP durante o mandato do governador Ronaldo Caiado (UB), mas, sim, apenas na segurança deste e em cargo gratificado no governo estadual, citando, inclusive o valor do acréscimo salarial. A publicação foi uma resposta a um outro vídeo em que Caiado aparece apoiando o tenente-coronel na campanha, usando o nome da Rotam na fala.Desde então, o ex-comandante da Rotam tem publicado em seu perfil no Instagram uma sequência de críticas ao ex-chefe, repetindo as acusações. Em uma das publicações, ele publica um trecho de um documentário sobre a operação contra Lázaro feito pela Record, emissora ligada ao grupo do Republicanos, partido pelo qual Rodney saiu candidato. Nestas imagens, o ex-titular da SSP aparece em um helicóptero vistoriando a área onde o suspeito poderia estar escondido.Resposta nas redesA resposta do ex-secretário veio nesta sexta-feira (9) em uma publicação no seu perfil do Instagram pela manhã. Segundo ele, algumas pessoas que também são candidatas, por outros partidos, estão propagando “fake news” para prejudicar sua candidatura e a do governador à reeleição, além de “macular” a vida profissional do coronel Renato Brum e do delegado Alexandre Lourenço.Rodney diz que não há “nenhum fundamento nas acusações” feitas de forma agressivas e mentirosas por pessoas covardes que não teriam coragem de participar de um debate sobre as ações que eles questionam. Ainda segundo ele, alguns dos que o acusam de ineficiência ou de usar a busca por Lázaro para propaganda política estiveram na operação “apenas para tumultuar e foram retiradas pelo comando local deles”. O coronel Benito esteve em Cocalzinho, mas voltou para Goiânia antes de Lázaro ser encontrado.No vídeo publicado, o ex-titular da SSP, que se coloca como comandante da operação de captura de Lázaro, rebate também a crítica feita pelo coronel Benito sobre o sigilo imposto pela pasta para os valores gastos e recursos utilizados durante o trabalho de buscas. Rodney não divulga os dados, mas sugere que se pergunte aos familiares de quem esteve como refém de Lázaro e foi salvo ou das pessoas que poderiam potencialmente serem vítimas do suspeito se esta questão realmente importa.Com relação às acusações, o ex-secretário também afirma que serão tomadas as medidas judiciais cabíveis. “Quem tem a verdade no peito, no coração, não se acovarda. Vou fazer minha campanha de ideias”, falou, por fim, Rodney, que de identifica na campanha como delegado.Nota por escritoO tenente-coronel Edson Melo, que se coloca como Coronel Edson Raiado na campanha, publicou um vídeo também na manhã desta sexta na qual é feita uma montagem com um áudio em que um homem diz que se alguém está esperando a queda dele pode “puxar uma cadeira e esperar sentado”. Mais tarde, questionado sobre as acusações pelo POPULAR, encaminhou uma nota chamando de “condução inapropriada” a forma como o coronel Benito tem feito sua campanha.Edson diz que o coronel não participou da operação contra Lázaro, apesar de “sugerir falsamente” isso, e que atualmente Benito se encontra “segregado, ou seja, excluído do convívio social e profissional (...) única e exclusivamente pela incapacidade de lidar com pequenas frustrações, por não ser o centro das atenções”.O ex-chefe da segurança do governador esteve em Cocalzinho participando das buscas por Lázaro. Ele e sua equipe são apontados como autores dos disparos que mataram o suspeito durante abordagem na manhã do dia 28. O inquérito sobre a morte nunca foi tornado público. Em março, Edson lançou um livro no qual se coloca desde então como o policial que matou Lázaro.Na nota enviada ao POPULAR, o tenente-coronel diz que sua equipe se deparou duas vezes com o coronel Benito na mata fechada durante a operação e que em ambas o oficial estava “visivelmente alterado”, dando a entender que ele foi retirado das buscas por problemas de saúde mental.Edson também afirma que parte da carreira como oficial do colega de farda se deu fora da corporação, em cargos gratificados na Assembleia Legislativa, e que este não aproveitou uma “última oportunidade” ao ser chamado para comandar a Rotam em 2019.“Ao criticar as autoridades que se empenharam na Operação Homines Venandi (nome da ação de buscas por Lázaro), Benito Franco dos Santos se vale de sua própria imagem para imputar defeitos e fazer ilações desconexas. Olha para o espelho e descreve como sendo dos outros seus próprios defeitos. Essa projeção fala muito mais de si que de outros. Um triste fim para quem já quase foi grande”, escreveu o tenente-coronel, na nota.Repercussão nas redesPoliciais e autoridades da área de segurança têm se manifestado nos perfis dos três candidatos no Instagram. Benito é quem tem mais seguidores, são 52,9 mil, mas é quem menos usa para a campanha eleitoral. Apenas nesta quinta-feira (8), por exemplo, ele divulgou lá seu número de candidato.Já o tenente-coronel, que se coloca como Coronel Edson Raiado na campanha, fez um trabalho de pré-campanha nas redes, principalmente após o lançamento do livro. Ele tem 29,1 mil seguidores. Rodney tem apenas 11,8 mil seguidores no Instagram e também trabalha com postagens nesta rede desde a pré-campanha.O POPULAR entrou em contato com Rodney e Benito por meio das redes sociais, mas até a conclusão desta reportagem não houve nenhum retorno. Apenas o tenente-coronel Edson Melo respondeu, por nota.Leia também:- Busca por Lázaro Barbosa em 2021 é foco de acusações entre candidatos da área de Segurança- Alegando risco para a instituição, PC impõe sigilo de 5 anos sobre operação contra Lázaro Barbosa- MP propõe multa de R$ 550 para encerramento de processo contra ex-mulheres e ex-sogra de Lázaro