Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos, mãe da Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, uma das vítimas diretas do acidente radiológico com o césio-137 (Fábio Lima/O Popular) Lourdes das Neves Ferreira, de 74 anos, mãe de uma das vítimas diretas do acidente com o césio-137, Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, revelou, em entrevista ao jornalista Jackson Abrão, que não dorme bem e que não superou o acidente: “Vou carregar para o resto da minha vida”. O maior acidente radiológico do mundo em uma área urbana, que aconteceu em Goiânia, voltou ao debate após o lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix. Ainda dói. Eu creio que vou carregar para o resto da minha vida. Não passa, não. Tem dia que aumenta, tem dia que é menos, mas continua do mesmo jeito”, disse Lourdes. O acidente aconteceu em setembro de 1987. A idosa era esposa de Ivo Alves Ferreira, um dos principais envolvidos e também vítima do acidente. Ivo morreu 15 anos após o ocorrido, por enfisema pulmonar, tendo sofrido por anos os efeitos da radiação. Irmão de Devair Alves Ferreira (dono do ferro-velho), ele levou fragmentos da cápsula de césio para casa, o que resultou na contaminação e morte de sua filha. Leide foi a única vítima a ingerir a substância, uma vez que brincou com o pó brilhante jogado no chão pelo pai e, depois, comeu um ovo.