Terreno da Rua 57, em Goiânia. Local de contaminação do Césio-137. Data 05/06/2015. (Arquivo pessoal / Célia Vasconcelos) Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico em área urbana do mundo com o Césio-137, Goiânia convive com o processo sistemático de apagamento de sua memória mais traumática. É o que levantou uma pesquisa desenvolvida pela pesquisadora Célia Helena Vasconcelos na Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2019. Segundo a especialista, espaços icônicos e nomes que simbolizavam a tragédia de 1987 estão sendo retirados aos poucos da narrativa oficial e do mapa da cidade pelo poder público, e que não há sequer um memorial. O assunto voltou à tona após o lançamento da minissérie Emergência Radioativa, da Netflix. A investigação, realizada no Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística, começou com a ideia de mostrar a história do acidente por meio da linguagem dos grafites, conforme entrevista de Célia à TV UFG. Contudo, ela disse que encontrou somente uma arte no muro que estava na Rua 57, do Setor Central, onde foi um dos principais focos de contaminação, segundo ela: