Geralmente, eles chegam debilitados, com medo, com dificuldade até para se alimentar – outros comem demais –, não querem sair, nem para ir à escola ou para os passeios programados. Adolescentes voltam a fazer xixi na cama. Crianças tornam-se agressivas com as outras. Choro e pesadelos são frequentes. É assim que chegam ao Centro de Valorização da Mulher (Cevam) Consuelo Nasser, em Goiânia, mulheres e crianças vítimas de violência. O Cevam é referência nesse tipo de atendimento e, desde abril de 2000, mantém o abrigo, que na sexta-feira contava com 58 pessoas, entre mulheres, crianças e adolescentes (o número varia, porque novas vítimas chegam quase que diariamente). Graças a uma rede de profissionais, a grande maioria voluntários, são frequentes também as histórias de superação e de sucesso. O Cevam é praticamente o único abrigo com essas caraceterísticas no Estado. Para Maria das Dores Dolly Soares, diretora da instituição, o maior trauma para as vítimas de violência não é físico, embora o abrigo receba pessoas mutiladas, a maioria por ex-companheiros. “A maior dor é na alma, esse é o maior sofrimento”, atesta. “Não há medicação para cura imediata, esse processo é longo e doloroso, mas temos conseguido ajudar, graças à atuação dos nossos voluntários”. Dolly conta que entre as mulheres é frequente o medo de se relacionar com amigos e mesmo de pensar em ter novos companheiros. “Muitas abominam a ideia de ter novos relacionamentos”. Entre as crianças, dificuldades na escola e agressividade são mais comuns. Para manter e ampliar os atendimentos, o Cevam precisa de novos voluntários, em várias áreas. “Quem quiser ser voluntário deve nos procurar, estamos com as portas abertas”, diz Dolly.