Com bens enterrados e entes queridos mortos, os sobreviventes do acidente radiológico com o césio 137 ainda convivem com o medo de uma tragédia iminente, mas que nunca chega. Sentem-se abandonados, discriminados e revoltados. Parte se entregou a vícios, outra aos medicamentos controlados como forma de escapar da dor de uma vida interrompida. O acompanhamento psicológico é precário, em parte pela resistência das vítimas, mas, segundo elas, sobretudo pelo enfraquecimento do serviço oferecido pelo Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves (Cara) nos últimos anos. Maria José Aparecida, de 68 anos, passou, ao todo, cerca de 11 anos internada em clínicas psiquiátricas, entre idas e vindas, desde o acidente radiológico de 1987. Hoje, ela mora com a filha, Simone Aparecida Ferreira, de 52 anos, que tem se dedicado à mãe para garantir que ela não precise mais de internação. As duas foram irradiadas pelo césio 137 e, hoje, a mãe toma remédios para depressão e ansiedade e a filha, para ansiedade.