O físico nuclear Walter Mendes Ferreira, de 73 anos, o primeiro cientista a perceber a gravidade do acidente radiológico com o césio-137, em 1987, classifica a tragédia como uma “pandemia radioativa”, já que, à época, houve pânico na população goianiense diante da possibilidade de contaminação. Cerca de 112 mil pessoas passaram por exames de radiação no Estádio Olímpico, no Setor Central, escolhido como centro de monitoramento da presença de radiação na população. “E dá para entender o estranhamento com o desconhecido”, avalia. Walter inspirou o personagem Márcio, vivido por Johnny Massaro na minissérie Emergência Radioativa, da Netflix, produção recente que retrata o acidente radiológico com o césio 137 em Goiânia, em 1987, e os esforços para conter a tragédia. Sobre a série, ele conta que já assistiu e avalia que é bem sucedida ao demonstrar as dificuldades enfrentadas pelos profissionais no manejo do desastre. “Não tinha plano de emergência”, afirma. Ao mesmo tempo, destaca que a produção também evidencia como o trabalho conjunto de diferentes autoridades e instituições foi exitoso em minimizar os efeitos da tragédia.