Cerca de 2,3 mil médicos e estudantes participaram de protesto na tarde de ontem, em Goiânia, contra a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil sem a revalidação do diploma pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, o Revalida, segundo o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego). O protesto ocorreu em vários locais do País. Em Goiânia, os manifestantes se concentraram na sede do Cremego, no Setor Bueno, e saíram em passeata pacífica até o Hospital Geral de Goiânia (HGG), carregando cartazes e proferindo palavras de ordem. O presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, reforçou que os médicos não são contra a vinda destes profissionais que se formaram no exterior, mas sim, da forma que o Ministério da Saúde pretende autorizá-la. “Uma licença especial, concedida através de uma prova simples e três semanas de treinamento, é insuficiente para saber se esse profissional está apto para atuar aqui. É contra a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, uma irresponsabilidade com a saúde”, afirma. O plano do governo é criar programas de autorização especial para que os profissionais que se formaram fora do País só possam atuar na atenção básica, nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades. Para Salomão, o problema da saúde não está na falta de médicos e sim, no baixo investimento do governo na saúde pública. Para o conselho, o número de médicos existentes no País é suficiente para suprir a demanda, desde que ocorresse também uma interiorização dos investimentos em estrutura. “O médico não quer ir para uma cidade onde faltam condições básicas para o atendimento. É desestimulante”, analisa. O presidente da entidade também defendeu a criação de uma carreira de Estado para o médico, o que segundo ele, incentivaria a fixação do profissional nas cidades do interior. Segundo o presidente em exercício do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego), Rafael Cardoso Martinez, as manifestações que ocorreram em todo o País são para alertar a população sobre “os riscos deste investimento incorreto”. Martinez explica que as entidades irão esperar a repercussão do ato nacional, e se for preciso farão uma paralisação nos atendimentos públicos e privados. Priscilla Souza de Faria, estudante de medicina de uma faculdade particular, questionava se os médicos importados ficariam apenas no interior e avaliava a ação do governo como injusta com os brasileiros. “Por que não melhoram as condições de trabalho para nós? Assim, eu e outros médicos já formados iríamos sem problemas para o interior”, questionava. Apoio Durante o percurso, a mobilização ganhou apoio de populares que buzinavam, aplaudiam e tiravam fotos, como o matemático João Carlos Ferraz. Para ele, é preciso desconfiar da qualidade dos possíveis médicos importados. “Sou a favor da valorização do nosso profissional. E depois, não sabemos quais profissionais estrangeiros se interessariam por esta proposta”. Mesmo parada no trânsito da Avenida Anhanguera, que ficou interditada por alguns minutos, a comerciante Ana Maria Ferreira, buzinava, mas não de revolta, e sim em apoio ao protesto. “Não tenho uma opinião formada a respeito da contratação de estrangeiros, mas tenho a certeza de que o primeiro passo é investir na estruturação da saúde. É por isso é importante protestar”, salientou. No final do protesto, os médicos pregaram os cartazes nas grades do HGG, cantaram o hino nacional e deram um abraço simbólico na hospital.-Imagem (1.352603)-Imagem (1.352602)-Imagem (1.352601)-Imagem (1.352600)-Imagem (1.352599)-Imagem (1.352598)-Imagem (1.352597)-Imagem (1.352596)-Imagem (1.352595)