Câmeras de monitoramento, policiamento ostensivo, carros policiais na rua e a mudança de hábitos e horários. Nada disso tem inibido a ação dos criminosos contra os comerciantes em Goiânia. A audácia é tanta que não é difícil encontrar exemplos de estabelecimentos que já foram assaltados mais de uma vez. No caso de Agripino José Rodrigues, de 53 anos, dono de um açougue na Vila Maria Dilce, na Região Norte de Goiânia, já foram 13 e nenhum deles, apesar do registro das ocorrências, resultou em prisão. Só neste ano, de janeiro a maio, foram 1.319 roubos a estabelecimentos comerciais na capital (veja quadro). Tanto representantes da Segurança Pública como dos lojistas reconhecem que a situação se tornou uma realidade, enfrentada cotidianamente pelos comerciantes. Ambos concordam, ainda, ao afirmar que o Poder Judiciário e a legislação são os principais inimigos do combate ao crime, pois a punição é branda e facilita a reincidência dos criminosos. O secretário estadual de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, cita um levantamento feito recentemente pela Secretaria que identificou casos de ladrões que ficaram apenas 40 dias na prisão e, logo, estavam de volta às ruas, praticando os mesmos delitos. Mesquita esteve ontem na Associação Comercial, Industrial e dos Serviços de Goiás (Acieg) para participar da entrega de emendas federais, no valor de R$ 600 mil, que vão servir na otimização dos trabalhos da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil, e a segurança no comércio foi debatido. A presidente da Acieg, Helenir Queiroz, destacou que a principal vítima é o chamado lojista de rua, que, diferentemente do de shopping centers, raramente conta com todo o aparato de vigilância interna, como câmeras e vigias terceirizados. A presidente da Associação dos Empresários de Campinas (Assecampi), Margareth Maia Sarmento, expôs que a região tem sido alvo frequente de ladrões. “Nem o homem do churrasquinho foi perdoado”, conta. Por se tratar de famoso polo comercial, Campinas é monitorada por sete carros policiais, além das câmeras que vigiam, especialmente, as proximidades do camelódromo e da Avenida Anhanguera. Nem isso tem intimidado os criminosos. A loja de Margareth Maia, na Avenida 24 de Outubro, já foi arrombada e assaltada, assim como série de lojas próximas. Em meio a tantos exemplos, existem aqueles que chamam a atenção pela recorrência. Esse é o caso de Agripino Rodrigues. Desde 1991 em funcionamento, o estabelecimento já foi assaltado 13 vezes. Só este ano, já foram 3, a última delas no feriado de Corpus Christi, e todas à mão armada. “Antes, os assaltos aconteciam mais tarde, porque eu sempre fiquei com o açougue aberto à noite, mas agora já acontecem mais cedo. No domingo, foi às 15 horas; no feriado, às 18 horas; sábado, às 7 horas”, enumera. Por ser um bairro distante, o policiamento, segundo Agripino, é precário, o que, na visão dele, facilita a investida dos criminosos. Ele ainda não avaliou o prejuízo provocado pelos assaltos, mas mudou de hábitos. O caixa já não fica mais com grandes quantias nem ele carrega dinheiro no bolso. A medida encontrada pela Secretaria de Segurança Pública para traçar medidas de combate aos assaltos tem sido as reuniões com comerciantes e representantes do segmento. Ontem, Joaquim Mesquita se reuniu com lojistas de Campinas e, na semana passada, esteve com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes. Para o secretário, a concentração de forças é a melhor saída, embora ele frise a dinâmica diferenciada dos crimes patrimoniais, cuja punição é leve aos que são detidos.-Imagem (Image_1.343014)