Donizeth Rodrigues, hoje com 62 anos, passou a noite no ferro-velho de Ivo Alves Ferreira no dia em que a família de Leide das Neves foi levada para o hospital, em 1987. Cinco anos depois, ele e as duas filhas, Cristiane e Leidiane, então com 5 e 6 anos de idade, embarcariam para Cuba. A família fazia parte do grupo de 50 pessoas enviadas à Cidade dos Pioneiros para tratamento após a contaminação por césio 137. Eram 16 adultos e 34 crianças, acompanhados, sobretudo, por pediatras. A ideia de buscar o tratamento em Cuba começou a ganhar concretude em junho de 1992. A atriz Joana Fomm, que estrelou o filme Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia, foi com a presidente da Associação das Vítimas do Césio 137, Tereza Nunes Fabiano, até a sala do então presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Fernando Peregrino, pedir apoio. Elas souberam que o médico pediatra cubano Carlos Dotrez Martinez viria ao Brasil para participar da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO-92, no Rio de Janeiro.