A Prefeitura de Goiânia convocou o Instituto Meta e Verso na seleção para escolher a organização da sociedade civil (OSC) que vai executar o Festival Viva Goiânia 2026. A entidade ficou em primeiro lugar, com 98,5 pontos, e terá até 18 de setembro para apresentar a documentação exigida. Se for habilitada, poderá receber até R$ 3 milhões para planejar e estruturar uma programação de até 180 atividades culturais, esportivas, gastronômicas, turísticas e comunitárias ao longo de cinco semanas, em comemoração aos 93 anos da capital.O resultado foi homologado nesta quarta-feira (9) pela Secretaria Municipal de Governo (Segov) e publicado no Diário Oficial do Município (DOM). Caso o Instituto Meta e Verso não apresente a documentação dentro do prazo, a Prefeitura poderá chamar o Instituto Fluir, segunda entidade classificada, com 86,5 pontos.De acordo com o resultado da seleção, o Instituto Meta e Verso teve desempenho superior nos três eixos avaliados pela comissão. A entidade recebeu nota máxima nos dois primeiros, com 40 pontos em cada, referentes à capacidade institucional, experiência e qualidade técnica da proposta. No terceiro eixo, relacionado ao planejamento da execução, obteve 18,5 dos 20 pontos possíveis. Os descontos foram registrados nos critérios de compatibilidade entre o projeto técnico e o plano de trabalho e entre o cronograma físico-financeiro e a adequação orçamentária.A entidade selecionada será responsável pela execução do festival por meio de um termo de colaboração com a Prefeitura. Os R$ 3 milhões previstos no chamamento poderão ser destinados a despesas de planejamento, produção técnica e operacional, infraestrutura, logística, comunicação e segurança.O POPULAR antecipou em julho que o Viva Goiânia está planejado para cinco semanas, com dez pré-eventos distribuídos pelas regiões da capital e uma programação principal prevista para 24 de outubro, data do aniversário de Goiânia. Conforme apurado, a administração estima público de 120 mil a 150 mil pessoas ao longo de toda a programação.O principal evento deve ser realizado na Avenida Goiás, no Centro, mas a definição ainda depende de análises sobre capacidade, segurança, acessibilidade e mobilidade. Se o local for considerado inviável, outro poderá ser escolhido, desde que haja justificativa técnica.A escolha do Centro para receber o principal evento também está relacionada à promessa da atual gestão de revitalizar a região. Nos documentos preparatórios, a Prefeitura destaca o conjunto arquitetônico art déco e os edifícios históricos e afirma que a ocupação desses espaços pode ajudar a atrair visitantes, valorizar o patrimônio e movimentar a economia local. Também está em análise um plano de revitalização da Avenida Goiás.Entre as atribuições da OSC estão a elaboração do projeto executivo e dos planos de infraestrutura, logística, segurança, acessibilidade, sustentabilidade, comunicação e monitoramento. A entidade também deverá providenciar licenças, produzir relatórios e prestar contas da execução.Os cachês de artistas e outros participantes não estão incluídos nos R$ 3 milhões e deverão ser pagos pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult), com recursos próprios. A organização escolhida, no entanto, poderá contratar atrações com recursos privados obtidos por meio de patrocínios, apoio cultural ou outras fontes previstas no chamamento. O edital proíbe que o dinheiro repassado pela Prefeitura seja usado para cachês, agenciamento, representação, intermediação artística, comissões de empresários ou adiantamentos para reserva de agenda.Além da Secult, o Viva Goiânia envolverá 12 pastas municipais, sob coordenação da Segov. Em nota, a secretaria considerou a iniciativa “estratégica” para a celebração dos 93 anos da capital, com ações nas áreas de cultura, patrimônio, turismo, economia criativa, inovação, esporte, lazer e participação social.A justificativa do decreto publicado no mesmo DOM estabelece sete eixos temáticos para a programação: Virada Cultural Viva Goiânia; Memória Urbana e Patrimônio Histórico; Turismo Cultural; Economia Criativa, Gastronomia, Moda e Artesanato; Esporte, Lazer e Convivência Comunitária; Inovação, Tecnologia e Participação Cidadã; e Educação Patrimonial, Ambiental e Cívica. A programação, segundo o documento, terá como foco a promoção da cultura e da identidade goianiense, além do turismo e da inovação.ValoresO valor de R$ 3 milhões não foi calculado a partir da soma prévia dos preços de cada estrutura ou serviço. Segundo a justificativa do processo, a Prefeitura levou em consideração o porte do festival, a abrangência territorial, a quantidade de ações, o período de realização, o público estimado, a complexidade operacional e o possível retorno econômico e de mídia.O valor é tratado como teto. A OSC terá de apresentar planilha detalhada, memória de cálculo e referências de preços, e a Prefeitura deverá aprovar somente as despesas consideradas necessárias e compatíveis com a execução.Como principal parâmetro, a gestão comparou o Viva Goiânia com o Arraiá do Bem de 2026. O processo informa investimento de R$ 6,9 milhões no evento estadual, sem contar os artistas, e público de 157 mil pessoas. Para o festival municipal, estão previstos R$ 3 milhões e público estimado entre 120 mil e 150 mil participantes.A Prefeitura calcula que o custo do Viva Goiânia ficaria entre R$ 20 e R$ 25 por participante, conforme o público alcançado, enquanto o Arraiá do Bem teve custo de R$ 43,95 por pessoa. O próprio documento ressalva, porém, que os dois eventos têm formatos diferentes e que a comparação não deve se limitar aos valores nominais.A programação prevista para 2026 representa uma ampliação em relação ao aniversário do ano passado. Em outubro de 2025, a Secult promoveu 30 eventos, entre apresentações da Orquestra Sinfônica de Goiânia, espetáculos, shows, exposições e feiras de doação de livros. As atividades foram distribuídas por espaços públicos, como mercados municipais e parques.Um decreto orçamentário que reservou os recursos para o chamamento público destaca que o objetivo do festival é reunir as ações do aniversário em uma programação integrada. Segundo o texto, a proposta é aproveitar a celebração para fortalecer a identidade goianiense, valorizar o patrimônio histórico e cultural, estimular a participação da população e fomentar atividades capazes de movimentar a economia e ocupar espaços públicos.O edital também estabelece metas para a organização escolhida. Entre elas, estão a execução de 100% das ações confirmadas dentro do prazo, a implantação de todas as estruturas previstas e a obtenção das licenças exigidas. Os espaços oficiais deverão contar ainda com recursos de acessibilidade.O cronograma deverá ter pelo menos 90% das etapas concluídas dentro do prazo, enquanto a avaliação positiva do público deverá atingir, no mínimo, 80%.desfileO tradicional desfile cívico-militar, na Avenida 24 de Outubro, em Campinas, está mantido, assim como a distribuição do bolo de aniversário, segundo a Segov. O Paço também prevê medidas pontuais de melhoria urbana relacionadas ao Viva Goiânia, mas não divulgou detalhes sobre as intervenções.