IcCidade

Cidades

Demanda de água vai aumentar 44% em Goiás até 2030

Estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) coloca Goiás entre os três Estados que terão maior incremento proporcional no período e acima da média do País

Tente imaginar meio milhão de piscinas olímpicas cheias de água até a borda. Se é algo impensável, mensure, então, o equivalente a 14 vezes toda a água consumida pela população de Goiânia em um ano. Este será o aumento de uso de recursos hídricos em Goiás até 2030, conforme projeção feita pelo Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil, estudo desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA). O incremento de demanda hídrica no Estado em um curto espaço de tempo (pouco mais de uma década) é algo que preocupa, dada a realidade de limitação e escassez já enfrentada nos últimos anos.

O aumento proporcional será de 44%, o terceiro maior entre os Estados brasileiros, atrás apenas de Tocantins e do Amazonas. Em números absolutos, equivale dizer que o Estado chegará em 2030 consumindo, em um ano, quase 1,4 trilhão de litros de água a mais do que gasta hoje. Entre os diferentes segmentos e usuários de água analisados pelo estudo, as maiores variações na demanda hídrica em Goiás ocorrerão no setor da indústria e da agricultura, por meio da irrigação, que é hoje o maior consumidor de água no Brasil e no Estado (veja quadro na página 15).

Consciente da realidade e dos alertas já presentes no Plano Estadual de Recursos Hídricos de Goiás, publicado em 2016, a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, diz que um plano de segurança hídrica para o Estado será elaborado e apresentado ao governo. Basicamente, a ideia é implantar medidas que propiciem a convivência dos diversos segmentos usuários de água dentro de uma realidade possível de disponibilidade e sustentabilidade hídrica. "Em um Estado com franco avanço da economia, isso é muito preocupante", diz.

A necessidade de conciliação em prol da garantia do uso prioritário, que é o abastecimento humano e animal, mostrou-se necessária, por exemplo, na Bacia do Rio Meia Ponte, em 2017, de onde sai a água que corresponde a mais da metade do fornecimento de Goiânia e cidades da região. Foram constatados, na época, diversos usos irregulares acima do ponto de captação da Saneamento de Goiás S.A. (Saneago) que continuavam a todo vapor, independente da escassez de chuva, e que, por consequência, contribuíram para acirrar a falta de água em quase uma centena de bairros.

O consumo humano nas cidades goianas deve aumentar 17% até 2030, um índice bem abaixo de outros segmentos, como indústria (122%) e irrigação (43%), mas não menos preocupante diante do contexto. O aumento populacional é um fator que pressiona a demanda hídrica na zona urbana. Além da tendência de êxodo rural, elemento que condiciona o consumo humano na zona rural como sendo o único que vai diminuir em 10 anos, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) colocam Goiás, hoje, como o segundo Estado do País que mais atrai novos moradores. Só perde para São Paulo.

A tendência, com o tempo, é de que a disponibilidade hídrica seja um fator limitante do crescimento. Em Cristalina, cidade do Leste goiano e maior usuária de água do Estado, devido a grande concentração de pivôs centrais (a maior da América Latina), a implantação de uma indústria, por exemplo, é algo impraticável. "Temos dificuldade de atrair mais investimentos para a região de lá, justamente, por causa da segurança hídrica", conta o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Bruno Beraldi.

Em 2003, a professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Luciana Gonçalves Tibiriçá, desenvolveu pesquisa na região de Cristalina e a situação de conflito por água já existia. Sem medidas eficazes de fiscalização, preservação e controle, o contexto tende a ficar cada vez pior no Estado, segundo ela.

Falta de controle acirra contexto

Os dados e estatísticas de consumo de água no Brasil são feitos a partir do que se sabe e é devidamente registrado e legalizado nos órgãos ambientais. Muitos usos, no entanto, resistem distantes do controle e da necessidade de outorga para limitar o que pode ser utilizado. Esta condição torna ainda mais complexa a realidade de escassez e que exige um monitoramento preciso. Em Goiás, não diferente do restante do Brasil, a secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, reconhece: "Não temos conhecimento do total de água que é utilizado hoje".

Exemplo recente e que veio à tona após o crime ambiental de Brumadinho, com o rompimento da barragem da Vale, se refere à realidade de lagos artificiais em Goiás que se proliferam já na casa dos milhares. "Temos 9 mil barragens que deviam ser outorgadas quanto à retirada e uso da água, mas não temos isso aqui na secretaria hoje. Pela Agência Nacional de Águas (ANA), Goiás é considerado um dos piores estados de (controle de) recursos hídricos do Brasil", diz.

Em janeiro do ano passado, O POPULAR publicou reportagem mostrando que o Estado possui mais de 3,3 mil pivôs centrais e que apenas 21,5% deles estariam devidamente legalizados, com outorga e licenciamento ambiental. Na região do Vale do Araguaia, a irrigação praticada no município de Jussara, a 220 quilômetros de Goiânia, era a quarta maior usuária de água do Estado, em 2017, entre todos os usos e municípios, e vai subir para a segunda posição em 2030, ultrapassando o abastecimento público de Goiânia.

"Estamos fazendo uma reestruturação de vários macroprocessos na secretaria. Peguei a situação bem crítica", diz Andréa. Na semana passada, ela se reuniu com representantes do segmento de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que já apresentaram 118 pedidos de licenciamento ambiental, para discutir medidas que podem ser tomadas para viabilizar a implantação dos empreendimentos sem comprometer os demais usuários e interesses nas bacias hidrográficas. Ela já prevê que alguns dos pedidos não terão a licença concedida, por causa da limitação hídrica. Com o setor de irrigação, o diálogo deve ser aberto ainda, também no sentido de negociar ações e condicionar o licenciamento à análises de segurança hídrica.

Setor não acredita

A Agência Nacional de Águas (ANA) projeta um aumento proporcional de uso de água pela indústria em Goiás de 122% até 2030, em relação a 2017. O presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), Bruno Beraldi, diz que o setor não acredita nesse incremento todo. "Primeiro temos de ter uma demanda da economia dos produtos da indústria. Não temos como falar ainda se isso está certo ou não", diz. Além disso, ele alega que as indústrias tem feito grandes investimentos em tecnologia para otimizar o uso e economizar.

Nos períodos de estiagem, o setor é um dos que precisam reduzir a vazão de retirada dos mananciais para não comprometer o abastecimento público, que é a prioridade entre todos os usos. Beraldi argumenta que a realidade obriga as indústrias a adotarem medidas próprias para melhorar a utilização da água para não comprometer a própria produção. "Para uma indústria que depende do recurso hídrico acaba sendo uma questão de sobrevivência. O setor tem de fazer isso. Não é uma alternativa. Ele tem de fazer", afirma.

De acordo com o estudo da ANA, a indústria goiana vai partir de uma demanda hídrica de 8.991 litros por segundo, em 2017, para 19.959 litros por segundo, em 2030. Sobre a perspectiva de aumento da presença industrial no Estado, Bruno diz que isso ainda é algo incerto. "Hoje podemos dizer que temos mais indústrias procurando outras alternativas de investimento do que vindo para cá", aponta ele, que acredita que o cenário futuro vai exigir reinvenção de todos os segmentos. "Todo mundo vai ter de aprender a ter maior eficiência hídrica", diz.

Você se interessou por essa matéria?

Acessar conta

É só colocar login e senha e acessar o melhor jornalismo de Goiás.

Criar conta gratuita

É só registrar seu e-mail para ter acesso a 3 matérias por mês, sem pagar nada por isso.

Assine O Popular digital

R$ 9,90 Mensais

Desconto para assinatura digital no primeiro mês

Newsletter

Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.

Notícias do Atlético

Notícias do Goiás E. C.

Notícias do Vila Nova

Destaques do Impresso

Podcast Giro 360

Economia Goiana

Edição de Domingo

Crônicas da Semana

IcEconomia

Economia

Aumento de preços em produtos faz comerciantes reduzirem o lucro

Apesar da inflação de custos, repasse de alta em produtos é evitado para afetar menos as vendas

Sthefhanny Souza, confeiteira: matéria-prima para fabricar bolos, como ovos e farinha, está mais cara

Sthefhanny Souza, confeiteira: matéria-prima para fabricar bolos, como ovos e farinha, está mais cara (Wildes Barbosa/O Popular)

A confeiteira Stefhanny Souza tem sentido muito o impacto das altas nos preços das matérias-primas que utiliza para fabricar seus bolos, como ovos, farinha, chocolate e leite condensado. Ela diz que ainda não conseguiu repassar esta alta de custos, de 30% em média, para os clientes. "São bolos artesanais e gourmets, com preço diferenciado do mercado. Mas tudo está subindo muito e vou precisar reajustar", prevê.

O resultado desta inflação de custos que, segundo a confeiteira, também inclui os preços da água, luz e combustíveis, foi a redução de seu lucro. "Não tenho como substituir matérias-primas para não perder qualidade e baixar o padrão. Trocar ingredientes pode afetar o gosto e até a coloração do bolo, como é o caso da cobertura de brigadeiro, onde uso os melhores chocolates", garante. Para reduzir o impacto, Stefhanny diz que tem saído mais em busca de promoções, o que inclui visitas a vários atacadistas na capital.

Reduflação

Para o economista Adriano Paranaiba, professor de Economia do Instituto Federal de Goiás (IFG), a inflação é crescente, o governo é inerte e só resta às famílias darem seu jeito. A única arma hoje, segundo ele, é a pesquisa de preços, tomando cuidado com a reduflação, um mecanismo usado pela indústria para driblar a alta de custos sem elevar preços: reduzir o tamanho das embalagens. "Esta medida voltou com tudo no Brasil para fazer aquele produto caber no bolso das pessoas", alerta.

Por isso, o economista adverte que é preciso comparar os preços dos produtos considerando também o tamanho das embalagens. "Também é importante fazer uma lista de compras e se programar para comprar fugindo do aumento que pode acontecer ao longo do mês", explica. Uma solução pode ser reativar a antiga dispensa da casa para armazenar as promoções do dia.

Para ele, uma organização das compras pode salvar o bolso das pessoas num cenário inflacionário. É possível, por exemplo, usar o celular para fazer pesquisas de preços mais efetivas. "Precisamos exigir das autoridades ações que reduzam a inflação, ao invés de procurar culpados. Somos grandes exportadores de quase todos os produtos que tiveram o imposto de importação zerado. Isso não adianta se o combustível para transportá-los está subindo", diz.

Para Paranaiba, é preciso pensar no custo de toda cadeia produtiva e cortar gastos. "O governo bate recorde de endividamento na emissão de títulos de dívidas, o que força alta de juros e pesa muito na composição de preços no final da cadeia. A inflação é generalizada e o ovo não está caro por culpa da quaresma ou da galinha. É um problema macroeconômico, e não setorial. Tudo que sobe tem uma pressão de custos por trás, também gerada por descontrole fiscal", alerta.

Os reflexos da inflação se espalham por vários setores da economia. O especialista em finanças pessoais José Mário Carvalho, da Clínica de Finanças, lembra que o governo pede que a população substitua itens caros por outros mais baratos, mas isso parece impossível porque, atualmente, praticamente não existe nada barato. "Com o salário comprometido, o brasileiro se desdobra e o dinheiro nunca é suficiente. Assim, ele começa a 'escolher' as contas que vai pagar", destaca.

O resultado destas escolhas, segundo Carvalho, tem sido o aumento da taxa de inadimplência. "As pessoas têm deixado um porcentual cada vez maior de sua renda no supermercado para a compra de itens básicos. Assim, o jeito é deixar de pagar outras contas, inclusive as bancárias, que têm juros muito altos, e os planos de saúde, que têm registrado um volume maior de atrasos, mesmo não sendo um gasto supérfluo", adverte o especialista em finanças pessoais.

Você se interessou por essa matéria?

Acessar conta

É só colocar login e senha e acessar o melhor jornalismo de Goiás.

Criar conta gratuita

É só registrar seu e-mail para ter acesso a 3 matérias por mês, sem pagar nada por isso.

Assine O Popular digital

R$ 9,90 Mensais

Desconto para assinatura digital no primeiro mês

Newsletter

Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.

Notícias do Atlético

Notícias do Goiás E. C.

Notícias do Vila Nova

Destaques do Impresso

Podcast Giro 360

Economia Goiana

Edição de Domingo

Crônicas da Semana

IcEconomia

Economia

Inflação leva a substituir itens, buscar promoções e estocar

Alta de preços obriga a adotar estratégias para reduzir impacto no orçamento; planejar, procurar descontos e evitar desperdício são dicas

Nilza Bonfim, presidente do Movimento das Donas de Casa e Consumidores do Estado: é possível se organizar e fazer o dinheiro render um pouco mais

Nilza Bonfim, presidente do Movimento das Donas de Casa e Consumidores do Estado: é possível se organizar e fazer o dinheiro render um pouco mais (Fábio Lima / O Popular)

As sucessivas altas de preços trouxeram o fantasma da inflação de volta para a rotina das famílias. Apesar de alguns produtos terem reajustes mais expressivos e comentados nos últimos meses, como café, azeite e ovos, especialistas alertam que os aumentos são generalizados, exigem uma atenção extra ao orçamento e contribuem até para o aumento da inadimplência. Para tentar reduzir o impacto das altas, consumidores têm adotado novos e antigos hábitos de consumo, como buscar mais promoções, substituir itens e até armazenar produtos que estejam em promoção.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses em Goiânia, segundo o Índice de Preços aos Consumidor Amplo (IPCA), chegou aos 5,28%. Mas, se considerarmos só o café moído, por exemplo, no mesmo período, a alta já chega a assustadores 86,4% na capital. Só nos dois primeiros meses deste ano, a bebida subiu mais de 20% e o ovo de galinha ficou 15% mais caro para os goianienses.

O Movimento das Donas de Casa e Consumidores do Estado (MDC-GO) tenta orientar as famílias cujo orçamento ficou mais apertado com cursos onde são oferecidas dicas de economia doméstica e finanças pessoais. "Controlar o orçamento está mais difícil, pois o salário não consegue acompanhar os preços. Mas ainda temos donas de casa que sabem se organizar e fazer o dinheiro render um pouco mais", garante a presidente do MDC-GO, Nilza Bonfim. Ela lembra que o valor do salário já deveria ser de mais de R$ 3 mil para cobrir os gastos básicos das famílias, mas os governos nada têm feito a respeito.

Para a dona de casa, um saco de 5 quilos de arroz por mais de R$ 30 é inviável no orçamento das famílias mais carentes. Por isso, uma das principais dicas do MDC-GO, que serão colocadas nas redes sociais do Movimento nos próximos dias, é a substituição de produtos mais caros por outros mais baratos. "As pessoas ficam muito ligadas a marcas nobres. Mas é preciso conhecer e testar novos produtos com preços melhores e que podem ser tão bons como as marcas premium", alerta.

Para Nilza Bonfim, a compra semanal em busca de promoções ainda é a mais recomendada para conseguir descontos. "Cada supermercado faz promoções de produtos específicos em determinados dias, quando é possível encontrar preços menores, principalmente nos setores de carnes e verduras", adverte. Outra dica é comprar o básico que será consumido na semana para evitar desperdícios. "Precisamos aprender a reaproveitar e a comprar frutas e verduras de época e na quantidade certa que vamos consumir na semana", orienta.

Ela lembra que é possível substituir carnes de primeira por vários cortes mais baratos de segunda para fazer uma carne de panela ou um ensopado, por exemplo, além de consumir mais frango e suínos, que estão com preços mais em conta. "As pessoas não costumam ter uma regra de compra e vão às compras muito por impulso. Enchem a geladeira, não consomem e acabam jogando muita coisa fora", alerta.

Outra sugestão do MDC para evitar desperdícios é fazer um cardápio prévio para a semana. "Você faz quatro variedades de cardápios semanais. Um para cada semana do mês. Com planejamento, a família acaba comprando só o que precisa mesmo. A economia é doméstica e 80% dela é controlada em casa", adverte Nilza Bonfim.

Promoções
Para o presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Sirlei do Couto, os reajustes têm acometido mais produtos pontuais, como café, ovos, arroz e azeite. Para ajudar os clientes a reduzirem o impacto da inflação no orçamento e manter as vendas, os supermercados têm feito mais promoções diárias, com ofertas de produtos específicos para cada dia da semana, a fim de incentivar o cliente a economizar.

Couto ressalta que preços altos também são ruins para os supermercados, que precisam reduzir a margem de lucro para manter as vendas num patamar aceitável. Por isso, a saída tem sido comprar volumes maiores de produtos não-perecíveis em busca de maiores descontos, como o café, que todo dia tem subido. "Compramos um volume maior para ter estoque e uma margem melhor para trabalhar", destaca o presidente da Agos.

Em um cenário de inflação elevada, Sirlei do Couto acredita que o consumidor está mais atento às promoções no varejo, como as que os supermercados fazem diariamente em cada seção de produtos, para tentar economizar. Segundo ele, muitos clientes já optam por levar uma quantidade maior destes itens com preço mais em conta.

"As pessoas perderam o hábito de estocar e vão muitas vezes ao supermercado ao longo do mês. Mas, hoje, quando há uma promoção de verdade, o melhor é comprar mais destes itens com preço mais em conta para estocar e evitar um novo aumento, apesar dos estabelecimentos limitarem o número de unidades por cliente nestas ações", ressalta Couto.

Você se interessou por essa matéria?

Acessar conta

É só colocar login e senha e acessar o melhor jornalismo de Goiás.

Criar conta gratuita

É só registrar seu e-mail para ter acesso a 3 matérias por mês, sem pagar nada por isso.

Assine O Popular digital

R$ 9,90 Mensais

Desconto para assinatura digital no primeiro mês

Newsletter

Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.

Notícias do Atlético

Notícias do Goiás E. C.

Notícias do Vila Nova

Destaques do Impresso

Podcast Giro 360

Economia Goiana

Edição de Domingo

Crônicas da Semana

IcCidade

Cidades

Bairros de Goiânia e Aparecida podem ficar sem água nesta terça-feira; veja quais

A previsão é que os registros sejam ligados no mesmo dia e o reabastecimento do setores afetados será gradual

Para evitar transtornos, a Saneago recomenda que os moradores utilizem suas reservas domiciliares com responsabilidade

Para evitar transtornos, a Saneago recomenda que os moradores utilizem suas reservas domiciliares com responsabilidade (Divulgação/Saneago)

Nesta terça-feira (18), será realizada uma intervenção técnica para a instalação de um equipamento de monitoramento e controle na adutora que leva água tratada do Booster Vila Adélia ao reservatório Atlântico, em Goiânia. Durante o serviço, que acontecerá na Rua Barcelona, no Jardim Europa, será necessário interromper temporariamente o abastecimento em alguns bairros da capital e de Aparecida de Goiânia, informou a Saneago.

🔔 Siga o canal do O POPULAR no WhatsApp

Os registros da adutora serão fechados a partir das 4h da manhã para permitir a execução dos trabalhos. A normalização do fornecimento ocorrerá de forma gradual, iniciando pelos bairros localizados em áreas mais baixas e avançando para as regiões médias e altas. A previsão é que o serviço seja concluído até o meio-dia, quando o sistema começará a ser restabelecido.

Para evitar transtornos, a Saneago recomenda que os moradores utilizem suas reservas domiciliares com responsabilidade, a fim de evitar desperdícios. As residências que possuem caixa d'água adequada ao consumo diário não devem sentir os impactos da paralisação temporária.

Confira os bairros que podem ser afetados:

Aparecida de Goiânia

• Bairro Cardoso
• Bairro Ilda
• Buriti Sereno
• Cidade Vera Cruz II
• Cidade Vera Cruz Regence
• Conjunto Cidade Vera Cruz
• Conjunto Residencial Santa Fé
• Garavelo
• Jardim Helvécia
• Jardim Tropical
• Jardins Mônaco
• Morada Sul II
• Vila Mariana
• Vila Rosa

Goiânia

• Bairro Anhanguera
• Conjunto Cachoeira Dourada
• Conjunto Residencial Monte Carlo
• Jardim Ana Lúcia
• Jardim Atlântico
• Jardim Europa
• Jardim Florença
• Jardim Planalto
• Jardim Presidente
• Jardim Sônia Maria
• Jardim Vila Boa
• Jardim Tancredo Neves
• Loteamento Celina Park
• Novo Horizonte
• Parque Anhanguera I e II
• Parque Oeste Industrial
• Privê Atlântico
• Recreio Funcionários Públicos
• Residencial Aquarius I e II
• Residencial Canadá
• Residencial Eldorado
• Residencial Flórida
• Residencial Granville
• Residencial Vereda dos Buritis I e II
• Rio Formoso
• Setor Faiçalville
• Setor Ulisses Guimarães
• Setor União
• Sudoeste
• Vila Alvorada
• Vila Alpes
• Vila Bela
• Vila Luciana
• Vila Mauá
• Vila Rezende
• Vila Rosa
• Village Veneza

Você se interessou por essa matéria?

Acessar conta

É só colocar login e senha e acessar o melhor jornalismo de Goiás.

Criar conta gratuita

É só registrar seu e-mail para ter acesso a 3 matérias por mês, sem pagar nada por isso.

Assine O Popular digital

R$ 9,90 Mensais

Desconto para assinatura digital no primeiro mês

Newsletter

Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.

Notícias do Atlético

Notícias do Goiás E. C.

Notícias do Vila Nova

Destaques do Impresso

Podcast Giro 360

Economia Goiana

Edição de Domingo

Crônicas da Semana

IcCidade

Cidades

Dengue aumentou 400% no Brasil em 2024 em comparação ao ano passado

Coeficiente de incidência é de 3.221,7 por 100 mil habitantes

Mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika e chikungunya

Mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue, zika e chikungunya (Raul Santana/Fiocruz)

O Brasil chegou a 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, de acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde. Os dados são provisórios e referem-se ao período de 1º de janeiro a 7 de outubro. O coeficiente de incidência é de 3.221,7 por 100 mil habitantes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que taxas acima de 300 casos por 100 mil habitantes indicam epidemia.

🔔 Siga o canal de O POPULAR no WhatsApp

No período, 5.536 pessoas morreram devido à doença. Outros 1.591 óbitos estão em investigação.

No mesmo período de 2023, o país confirmou 1,3 milhão de casos prováveis de dengue. De janeiro a dezembro, houve 1,6 milhão ---1.179 pessoas morreram. Os números de janeiro a outubro de 2024 são 400% mais altos se comparados aos do mesmo período de 2023.

Apesar da incidência e dos números altos, as infecções começaram a baixar a partir da semana epidemiológica 16, que iniciou em 14 de abril. Até a 40, a última de agosto, a curva de infecções diminuiu e depois apresentou pequenas oscilações.

Neste ano, o estado de São Paulo tem 32,3% dos casos de dengue do país ---2,1 milhões. Foram registradas 1.786 mortes pela doença. Outros 831 óbitos permanecem em investigação.

Segundo o mesmo painel, a capital paulista tem 639.066 infecções por dengue com 365 mortes e outras 476 em investigação. No dia 7 deste mês, a Prefeitura de São Paulo revogou a emergência de dengue.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

Para o infectologista Antonio Carlos Bandeira, membro do Comitê de Arbovirose da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e assessor técnico do Laboratório Central do Estado da Bahia, a expectativa é a de que os números da dengue continuem menos expressivos até dezembro, quando a volta do crescimento é esperada. O pico da doença deverá ocorrer de março a abril do ano que vem. De maio em diante, a tendência é cair. "Neste ano, ficamos durante muitos meses com um platô alto. Não dá para prever se isso voltará a acontecer no país", explica.

O especialista chama a atenção para a necessidade de ações eficientes no combate à dengue em várias frentes. Uso de larvicidas, trabalho ambiental e cuidado dos pacientes com dengue, segundo Bandeira, não são suficientes.

"A maior parte dos países do mundo tem caminhado em várias frentes. Uma delas é utilizar a tecnologia dos mosquitos transgênicos. E transformar num produto de escala. Precisa chamar as empresas privadas porque o governo não tem dinheiro para resolver tudo sozinho."

A vacinação contra a dengue deve ser implementada em larga escala. "O Ministério da Saúde fez uma vacinação muito tímida. Precisa expandir e colocar a vacina da dengue dentro do calendário do Programa Nacional de Imunizações. Isso tinha que ser rápido, para todas as pessoas. A vacina do Butantan precisa ser acelerada pela Anvisa. Vai ser uma segunda vacina muito eficaz também."

A médica Andyane Tetila, presidente da Sociedade de Infectologia de Mato Grosso do Sul, alerta que, assim como nos outros anos, o forte calor, a umidade e as chuvas vão favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

"Há necessidade de trabalhar as ações de prevenção de forma precoce, com início imediato, para conscientizar a população a evitar o acúmulo de água nos domicílios, além das medidas de gestão, com políticas públicas, e medidas mais novas, como o método wolbachia, para diminuir a replicação dos mosquitos", afirma.

Segundo Tetila, a preocupação dos gestores de saúde é com a circulação dos subtipos 3 e 4 da dengue. Em 2024, prevaleceram o 1 e o 2.

"Há um risco de aumento de casos por causa da situação climática favorável, dos subtipos virais que circularam em 2024 voltarem em 2025 e encontrar muitas pessoas ainda suscetíveis, principalmente o subtipo 3, que circulou em alguns estados, e o 4, que teve alguns casos também identificados no nosso país. Além disso, nem toda a população foi exposta aos tipos 1 e 2, e não está protegida contra uma infecção", diz Tetila.

Na visão de Carlos Magno Fortaleza, presidente da (SPI) Sociedade Paulista de Infectologia e professor de Infectologia da Unesp, em Botucatu, a intensa atividade da dengue nos últimos dois anos foi causada por determinantes climáticos --em anos quentes, aumenta a atividade do mosquito vetor-- e principalmente pelo desmonte das ações de controle de doenças que se viu durante o governo Bolsonaro.

"O governo Bolsonaro desmontou a inteligência epidemiológica e do controle de doenças do Brasil, que era admirada no mundo inteiro. Pessoas importantes dessa inteligência saíram porque não tinham possibilidade de trabalhar ou foram excluídas das linhas decisórias do Ministério da Saúde", comenta Fortaleza.

"Além de tudo foi desmontado todo o sistema de pactuações municipais e estaduais nos quais se baseava a ação de controle de doenças no SUS. O governo federal muda, mas os governos municipais não mudam essa onda de individualismo, negacionismo, não cooperativismo, não investimento na prevenção. Isso é uma herança do bolsonarismo. A construção do SUS desde a década de 80 foi um processo harmônico. Com essa polarização e desconstrução das políticas públicas, essa harmonia não se recupera simplesmente com a boa vontade da ministra Nísia.

Fortaleza acredita que o país esteja pouco preparado para a dengue. Apesar de um número ínfimo de vacinados, a imunidade populacional pode ser um freio. "Se nós tivermos a mesma cepa circulando, grande parte da população já se infectou no ano anterior. Talvez essa imunidade populacional seja uma limitação em uma situação tão dramática como vivemos esse ano", afirma.

Este projeto é uma parceria com a Umane, associação que apoia iniciativas no âmbito da saúde pública

Você se interessou por essa matéria?

Acessar conta

É só colocar login e senha e acessar o melhor jornalismo de Goiás.

Criar conta gratuita

É só registrar seu e-mail para ter acesso a 3 matérias por mês, sem pagar nada por isso.

Assine O Popular digital

R$ 9,90 Mensais

Desconto para assinatura digital no primeiro mês

Newsletter

Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.

Notícias do Atlético

Notícias do Goiás E. C.

Notícias do Vila Nova

Destaques do Impresso

Podcast Giro 360

Economia Goiana

Edição de Domingo

Crônicas da Semana