Dentro da Semana da Prematuridade, que faz parte das ações da campanha Novembro Roxo, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), vinculado à rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), lança, nesta quarta-feira (16), o Diário do Bebê, um projeto humanizado voltado para as mães e pais de crianças que passam pela UTI Neonatal (UTIN) da unidade. A ideia, inédita no Brasil, nasceu a partir de vivências de profissionais de Psicologia nesse ambiente.Psicóloga hospitalar do HC-UFG, que atua na UTIN, Melissa Viana Telles coordenou o trabalho, que contou com a participação das ex-residentes do hospital, as também psicólogas Bárbara Cardoso Sabino e Fernanda Feijó Martins. Elas entenderam que ao colocar no papel as impressões, os movimentos e as emoções, a mãe ou o pai poderiam criar um vínculo com o bebê na incubadora, naquele período sob cuidados da equipe hospitalar.“O Diário do Bebê tenta resgatar, pelo menos minimamente, a maternidade ‘normal’, aquela que o bebê nasce e vai para casa. Mas, ele fica internado. Durante a gestação os pais imaginam como será o bebê e, quando ele nasce antes do tempo, há uma quebra da expectativa. Eles ainda estão elaborando a experiência da chegada, do parto, preparando o enxoval e pensando na reorganização familiar. Há uma grande diferença entre o que era esperado e o bebê que chega. E ele precisa ser acolhido. O que nós tentamos é exatamente vincular esse bebê aos pais”Melissa Telles explica que ela e as colegas fizeram uma ampla pesquisa e não encontraram nenhum projeto semelhante, somente o tradicional Diário do Bebê. “Acrescentamos especificidades de um bebê internado: as primeiras vezes em que abriu o olho, que foi para o colo, que fez cocô, porque isso é muito importante para o recém-nascido na incubadora. Também colocamos um espaço para que os pais falem dos desafios, como procedimentos cirúrgicos invasivos. No final, toda a equipe assina o Diário e a mãe leva para casa os principais registros.”As páginas do Diário são soltas, presas com fitinhas. Em caso de óbito, é anexado um espaço específico. “É importante registrar as emoções dessa família, auxilia no processo do luto. A sociedade inviabiliza o luto desses pais - principalmente da mãe - que tiveram o bebê por pouco tempo. É importante legitimar, mostrar que ele existiu e fez parte da história desse casal.”Leia também:- Conscientização sobre o nascimento prematuro é alvo do Novembro Roxo- Licença-maternidade começa a contar a partir da alta hospitalar, decide STF- Troca de secretário de Saúde teria sido motivada por demora para cumprir prazos e fazer pagamentosA ideia do diário surgiu quando Melissa e as psicólogas residentes discutiam ações voltadas para quando o bebê vinha a óbito. A equipe elabora materiais, como o pezinho de gesso e o cartão de condolências, colocados na Sacolinha da Saudade entregue à família. “A Bárbara sugeriu algo para o bebê internado e eu gostei da ideia. É o momento da mãe construir a maternidade, preencher o vazio do contato com o filho porque a equipe está sempre cuidando do bebê e ela fica em segundo plano, se sente afastada. Ao montar o diário, ela cria o vínculo.”Ana Julya, de 17 anos, foi a primeira mãe a preencher o diário. Seu bebê, José Pedro, nasceu no dia 17 de agosto antes do tempo e, com hidrocefalia, precisou ser submetido a uma cirurgia. Foram 26 dias na UTIN. Moradora de Morrinhos, a adolescente conta que o Diário do Bebê “aliviou os momentos mais difíceis”. O pior deles foi quando levaram o bebê para o centro cirúrgico, segundo ela. “Tudo está registrado no Diário e vou guardá-lo para sempre”, disse ela, ao lado do filho. Durante a Semana da Prematuridade, todas as famílias com recém-nascidos internados na UTIN do HC/UFG vão receber a publicação para escrever suas histórias.Cartilha Entre as muitas ações previstas para esta semana, como palestras e distribuição de pezinhos de sabonete e botons, o HC/UFG vai receber balões roxos para lembrar a data e lançar na sexta-feira (18), às 8 horas, a Cartilha dos Direitos do Bebê Prematuro.Nela foram reunidas informações sobre ampliação da licença maternidade, o que é previsto em lei em casos de bebês internados por longos períodos; orientações sobre casas de apoio e insumos necessários após a saída do hospital, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da versão impressa, ela estará disponível no site do HC/UFG/EBSERH.-Imagem (1.2560764)