Atualizada às 21h45Australiamar Fernandes Ferreira, de 41 anos, foi preso na última sexta-feira (9), em Valença, Região Sul do Rio de Janeiro, trabalhando como médico no Hospital Escola da cidade. O suspeito utilizava documentos falsos de um profissional residente em Goiás e também se apresentava como tenente do Exército Brasileiro. Ele se aproveitou da escassez de médicos durante a pandemia da Covid-19 e se apresentou como médico cirurgião e intensivista, chegando a atuar em plantões na unidade de saúde e em outros hospitais da região. A prisão foi realizada por policiais da 91ª Delegacia de Polícia e, segundo a Polícia Civil do RJ, ele apresentava documentos pertinentes e fardamento do Exército. Australiamar atuava em hospitais dos municípios de Valença, Mendes, Volta Redonda, Piraí e Barra do Piraí. Depois da prisão, foi autuado em flagrante por falsidade ideológica, lesão corporal, exercício ilegal da medicina, uso de documento falso e falsa identidade. Há dois meses, o falso médico realizava atendimentos no Hospital Escola de Valência e um dos pacientes teve a perna amputada devido aos cuidados médicos equivocados, incluindo cirurgia. Segundo a investigação, houve prescrição de remédios que não correspondiam à gravidade do ferimento do paciente. A Polícia Civil do Rio diz que a vítima teria se acidentado com um vergalhão na perna direita, que chegou a ser necrosada e posteriormente, amputada. Em nota, a direção da unidade de saúde afirmou que o suspeito não pertencia ao quadro de médicos permanentes do Hospital Escola de Valença e que apenas realizou plantões avulsos. Outros profissionais da unidade estranharam a conduta do “colega”, alertaram a diretoria que repassou o caso à polícia. Disseram também que reforçam o “compromisso com a justiça e com a prestação de um serviço em saúde de qualidade para a comunidade de Valença e região”. Mesmo depois da prisão, ele teria utilizado nomes falsos, incluindo o de um irmão. O Instituto de Identificação da Polícia Civil de Goiás foi procurado para confirmar a identidade do suspeito. Mas, apesar de utilizar a identidade de um médico residente em Goiás, o documento falso era expedido pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CRM-RJ). Outras prisões De acordo com a polícia, Australiamar Fernandes Ferreira já foi detido outras três vezes entre os anos de 2008 a 2012 e em todos os casos se passava por médico. As prisões ocorreram em Goiás e Mato Grosso do Sul. O suspeito também tem passagens por ameaça, lesão corporal e estelionato. Em 2012, ele atendia no Hospital Municipal de Sonora, no Mato Grosso do Sul (MS), e também se passava por médico de Goiás. Na ocasião, ele exercia a profissão ilegalmente e dizia ter como especialidade ginecologia e obstetrícia. Além de atendimento, realizava plantões. Com ele, a polícia também apreendeu, na época, estetoscópio, aferidor de pressão, medicamentos, livros e catálogos de remédios. Quando foi detido no Mato Grosso do Sul, possuía um mandado de prisão em aberto por estelionato em Goiás. Na ocasião, os documentos, que ele afirmou ter confeccionado sozinho, eram do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego). Também carregava um certificado de conclusão de curso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e títulos de especialização de Ginecologia e Obstetrícia, todos do médico verdadeiro. -Imagem (1.2133977)