Exemplares do jornal O POPULAR, um telex e um documento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) são parte do acervo que a família do geólogo Sebastião Maia de Andrade guarda sobre a participação dele na detecção da radiação em Goiânia, em 1987. Ele era gerente na antiga Empresas Nucleares Brasileiras S/A (Nuclebrás) em Goiânia, quando foi procurado pelo amigo Paulo Roberto Monteiro, então diretor da Vigilância Sanitária, para que lhe emprestasse um cintilômetro, que era o aparelho disponível na estatal para medir níveis de radiação. Na tarde do dia 29 de setembro de 1987, Andrade recebeu no escritório da regional da Nuclebrás, em Goiânia, Monteiro e o físico Walter Mendes, que tinham ido mais cedo à estatal pegar o cintilômetro emprestado. Em um telex enviado à Superintendência Geral da Nuclebrás na época, o geólogo conta que, assim que entraram na sala, ele ligou o aparelho e notou que o sanitarista tinha um nível mais alto de radioatividade. “Disse que fosse até sua residência, tomasse um banho e colocasse a roupa no quintal, longe do contato com outros objetos”, escreveu.