O governo de Goiás já empenhou, ou seja, destinou a pagamento, mais de R$ 1 bilhão de recursos estaduais e federais no combate à pandemia da Covid-19. Deste total, 467,9 milhões foram para as organizações sociais (OSs) responsáveis pelo funcionamento de hospitais de campanha. Em um cenário com recorde de internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), os hospitais administrados pelas OSs ficaram com a maior fatia dos recursos. Os dados foram organizados pelo POPULAR a partir de um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) para o último relatório estratégico Gastos com Covid-19, de 19 de abril deste ano.A segunda categoria com mais gastos na pandemia foi de despesas com recursos humanos, que representam 17,6% do total. Repasses para os municípios, que são além dos já realizados pelo governo federal, representam uma fatia de 13%. Também estão entre os maiores gastos a área da Educação, com merenda escolar e o transporte de estudantes da zona rural que não tinham acesso à internet, além de ajudas para a abertura e manutenção de leitos em hospitais municipais e no Hospital das Clínicas (veja o quadro). Titular da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), Ismael Alexandrino, explica que os recursos repassados às OSs são na prática os valores gastos para a abertura de novos hospitais e vagas de internação. A rede estadual de Goiás mais que dobrou a quantidade de vagas de UTI desde o início da pandemia. Atualmente são 871 vagas e antes da pandemia eram 253, segundo a SES-GO. Mesmo assim, houve lotação no mês de março, com fila de mais de 300 pacientes e mortes antes de conseguir a internação na terapia intensiva. Outro fator apontado pelo secretário é que a hospitalização de pacientes graves tem um custo muito alto, com mão de obra, equipamentos e medicamentos. Os pagamentos dos diferentes profissionais dos hospitais corresponderiam, em média, a mais de 60% dos repasses. Dentro do valor repassado para as OSs também estão incluídos os pagamentos de equipamentos, insumos e manutenção. “Um consumo de um paciente de UTI é absurdo. A atenção à Covid está muito pautada em cima desse cuidado intensivo. É o mais caro que existe”, explica Alexandrino. Além disso, ele lembra que houve um aumento nos preços de itens e medicamentos hospitalares. Sobre a escolha do modelo de organização social para a administração da maioria dos hospitais de campanha, o titular da SES-GO diz que isso foi essencial para abrir vagas de internação com rapidez, já que haveria maior facilidade na contratação de profissionais e compra de insumos. “Não existiria essa expansão que fizemos sem organização social”, avalia Alexandrino.Ismael defende a necessidade de “separar o joio do trigo” em relação às organizações sociais. “Aquelas que são ruins, a gente tira do contrato. Não é atacar o modelo porque tem joio no meio do trigo”, afirma. Em agosto de 2020, o governo de Goiás rompeu contrato com o Instituto Rio-Lagos, que administrava hospitais de campanha e uma policlínica, alegando descumprimento de obrigações. A decisão ocorreu dois meses depois de a OS ter sido alvo de operação do Ministério Público do Rio de Janeiro, por desvios de recursos.-Imagem (1.2246113)