A forte movimentação no comércio na manhã da véspera do Dia das Mães, principalmente em Goiânia, pode ter contribuído para que Goiás tenha registrado o pior índice de isolamento social do País no último sábado (9). Na capital, várias lojas chegaram a decorar as vitrines e abrirem as portas, o que contraria decreto estadual que permite apenas vendas em regime de drive thru.Dados divulgados neste domingo (10) pela empresa In Loco, baseados na movimentação de celulares, mostram que o Estado registrou ontem índice de 37,44%, percentual menor, inclusive, que a média nacional, de 43,1%. É o sexto dia consecutivo que Goiás fica abaixo dos 40% - patamar considerado o limite do “sinal amarelo” pelo governo estadual para adoção de medidas mais duras de restrição de mobilidade. Em uma semana, o Estado teve uma queda de 7,6 pontos percentuais. No dia 3 de abril, a taxa goiana era de 45,08%, ainda abaixo dos 50%, índice aceitável, mas não o ideal de isolamento apontado por pesquisadores e profissionais da saúde para reduzir a taxa de transmissão do novo coronavírus (Covid-19).Como divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) hoje, 1.093 pessoas foram infectadas pelo vírus em Goiás e 47 morreram em decorrência da doença. Além disso, 11.799 casos são suspeitos e 37 óbitos ainda estão sendo investigados pela pasta.Ao POPULAR, esta semana, o secretário de Desenvolvimento e Inovação (Sedi), Adriano da Rocha Lima, relatou que é um desafio da gestão estadual equilibrar a reabertura das atividades econômicas com o fluxo de pessoas, principalmente no transporte coletivo e comércios de rua. Contudo, ele ressaltou que o governo vai seguir apostando no reforço na fiscalização para tentar aumentar o índice. “Estamos em conjunto com as prefeituras adotando medidas muito fortes de fiscalização e vamos dar no máximo uma semana para ver se o nível se aproxima novamente acima de 40%”, disse à reportagem em matéria veiculada na edição da última sexta-feira (8).LockdownO governador Ronaldo Caiado já afirmou que está descartada em Goiás a adoção de bloqueio total da movimentação, o chamado lockdown, que já vem sendo implementado em pelo menos 18 cidades de cinco estados.“Nunca existiu isso na nossa discussão. O que existiu foi que, na semana passada, nós detectamos uma queda significativa no isolamento social. A partir daí eu disse: ‘Nós vamos acompanhar os dados, não é com relação a um dia que nós vamos baixar novo decreto. Mas caso haja uma resistência em realmente não atender aos protocolos, aí sim nós pensaremos num decreto para voltar à situação anterior’”, disse o governador na última terça-feira (5).O governador lançou decreto na noite do dia 19 de abril, um domingo, que começou a valer no dia seguinte com a flexibilização no funcionamento de diversas atividades, como igrejas e salões de beleza. O documento deu autonomia aos municípios para decidirem sobre o isolamento social da própria cidade, desde que fossem seguidas as medidas necessárias para evitar o avanço do coronavírus.Pouco tempo depois alguns municípios anunciaram novos decretos também flexibilizando a atividade comercial. Em Rio Verde, por exemplo, prefeito Paulo do Vale (DEM) confirmou a retomada de 90% das atividades econômicas na cidade.Àquela altura, Goiás tinha acabado de ultrapassar os 400 casos confirmados de Covid-19. Hoje a quantidade de pacientes infectados mais que dobrou, ultrapassando os 1.000 casos detectados. O número de óbitos também mais que dobrou – 19 pessoas tinham morrido e, até este domingo, 47 mortes foram confirmadas por coronavírus.Mesmo assim, essa realidade ainda é inferior a de muitos outros Estados. Na comparação, segundo os dados do Ministério da Saúde, Goiás é o quarto Estado com o menor número de casos e o décimo menor em número de mortes, muito em função das medidas adotadas pelo governador Ronaldo Caiado, segundo pesquisadores, logo no início do registro de casos no Estado com restrições mais duras às atividades comerciais, embora tenha imposto menos limites de movimentação pessoal.Contudo, o isolamento social ainda é a estratégia mais indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para combater a Covid-19. O órgão, inclusive, ressalta que 70% é a taxa ideal de isolamento a ser seguido. No Brasil, nenhum Estado se aproximada desse índice. O Ceará (50,76%) e o Amapá (50,71%) são os mais avançados atualmente nesse sentido.