Na véspera de grande manifestação preparada para hoje em Goiânia, o governador Marconi Perillo (PSDB) disse ontem que a onda de protestos no País forçará todos os partidos a reformularem discursos e estabelecerem maior interação com a sociedade. O governador afirmou que a polícia vai apoiar a manifestação pacífica, mas que também está preparada para “punir e afastar rigorosamente qualquer tipo de vandalismo”. “Faço um apelo para que utilizem o direito de livre manifestação, expressão e movimentação, mas que peçam a todos que se restrinjam à manifestação pacífica. Reivindicar, cobrar, protestar é um direito de todos. Mas o que esperamos é que tenhamos uma bela festa cívica e pacífica”, afirmou, em entrevista ao POPULAR e à TV Anhanguera na tarde de ontem. Marconi diz que é preciso compreender também o alcance e a importância das redes sociais e as causas do movimento. Segundo ele, a raiz da insatisfação está na carestia e no endividamento. “Há uma insatisfação em relação a muitos fatores, em relação aos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, à impunidade. Mas na minha opinião a raiz disso tudo está na carestia e no endividamento individual. Outra questão é o comportamento ético, não só da classe política, mas de uma série de instituições. Então são cobranças difusas. É uma manifestação que tem demonstrado a indignação das pessoas em relação ao status quo. Cabe aos políticos e às instituições a busca de um novo realinhamento para compreender e atender as demandas.” O governador disse que as manifestações estão “sacudindo o Brasil” e que atinge a todos. Questionado sobre os efeitos políticos, ele afirmou que são difusos. “Quem apoia o governo vai com certeza participar criticando os adversários e os adversários vão criticar o governo. Vão aproveitar da situação para trocar críticas”, disse. “Agora, o grosso da manifestação tem outro motivo, que é a insatisfação em relação à impunidade, à corrupção, ao não cumprimento de compromissos, à quebra de ética por alguns que falaram a vida inteira em ética. E o motivo principal vem do endividamento individual, da carestia, da inflação, que já é evidente. Isso mexe com o humor de todo mundo.” Questionado sobre o fato de a insatisfação dos goianienses já ter sido manifestada por pesquisas desde o ano passado, o governador disse que sua gestão esteve antenada e reagiu no sentido de dar respostas. “Basta ver o que está acontecendo na saúde, o esforço na área de segurança e também na educação, além do trabalho para o cumprimento das promessas de campanha.” Sobre uma movimentação para ressuscitar o Fora Marconi na manifestação de hoje, o governador disse que seria um “movimento oportunista”. “Eu acho que esse assunto já passou, já é passado. De qualquer maneira, se ocorrer, nossa reação será a mesma de antes, de respeito. Dilma O governador minimizou as vaias à presidente Dilma Rousseff no Mané Garrincha, na abertura da Copa das Confederações. Lembrou o ditado de que torcida vaia até minuto de silêncio e disse que outras personalidades políticas foram vaiadas em estádios sem maiores consequências.-Imagem (Image_1.344322)