Nesta terça-feira (24), Juliana da Silva Rocha de Jesus, de 33 anos, completa 38 semanas carregando no ventre a pequena Sarah. À espera de um nascimento que pode acontecer a qualquer instante, o teto que a abriga, com o marido, Peter Aparecido de Jesus, de 38 anos, é a marquise da Estação Ferroviária de Goiânia, onde buscam refúgio da chuva e do vento das noites. Durante o dia, sob o forte calor que toma a cidade, Juliana, já com dores e grande desconforto, se recolhe à sombra das árvores na Praça do Trabalhador. Ao lado dela repousam malas e os documentos do pré-natal do bebê que está por chegar, sinais de uma vida prestes a começar, mas ainda sem lugar para chamar de lar. O plano do casal é receber o Bolsa Família no final do mês e alugar um barracão. Até lá, caso a bebê nasça, eles não sabem o que fazer, mas temem ficar sem a filha. “Falaram para a gente que, se ficássemos muito tempo na rua, iriam pedir para o Conselho (Tutelar) vir tomar a criança da gente”, conta Peter. No momento, avaliam a possibilidade de se deslocarem para a região no entorno do Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI). “Assim, caso ela comece a ter a bebê, já estamos mais perto”, explica Peter, que diz não ter coragem de deixar a esposa sozinha para procurar bicos, por medo de terem as malas roubadas ou de ela entrar em trabalho de parto.