Fitas amarelas com listras pretas bloqueiam a passagem da sala para a cozinha. No papel colado ao centro, um aviso: “Interditado!” Os cachorros ignoram e passam de lá para cá sem receio. Em 1987, o dono do imóvel era motorista do Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A (Crisa) e ajudou a transportar o material contaminado pelo césio 137 para Abadia de Goiás. No sábado (2), Elio Gonçalves, de 69 anos, estava a dois quarteirões de casa, sentado à porta de um bar, enquanto observava o movimento no cruzamento da Avenida do Povo com a Rua JC 2, no Jardim Curitiba, em Goiânia. No dia 12 de fevereiro deste ano, a Defesa Civil de Goiânia visitou Elio, identificou o risco iminente de desabamento e colocou as faixas de interdição. O idoso sequer cogita se mudar, mas também não tem como fazer o reparo necessário no imóvel agora. Com vigotas comprometidas, o telhado da casa está prestes a cair. Hoje, o homem recebe a pensão estadual de R$ 954 por ser vítima do césio 137, mas reclama que parou de receber a pensão especial devida pelo governo federal aos radioacidentados.