No momento em que a liberdade de expressão e a disseminação indiscriminada de conteúdo estão cada vez mais fortes, é preciso atentar para o compartilhamento e produção de material informativo com responsabilidade. O alerta foi feito pela presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, nesta sexta-feira (12), durante a palestra Pós-verdade e Fake News - Conceitos Contemporâneos de Comunicação que Favorecem Crises de Imagem.“A liberdade de expressão é fundamental para a cidadania, manutenção e fortalecimento da democracia. Nestes últimos anos, passamos por uma revolução total promovida pelas leis brasileiras e também pela tecnologia. Porém, devemos exercer essa liberdade com responsabilidade para não termos retrocesso”, diz Patrícia.Para a palestrante, evitar a propagação das falsas notícias não é mais uma atribuição apenas dos veículos de comunicação, mas também para o cidadão comum que agora atua na produção noticiosa. Mas destacou a necessidade de fortalecer, cada vez mais, o jornalismo profissional, seguindo rigores éticos, para obter conteúdos isentos. “Nós temos uma imprensa formal, estabelecida, de muita qualidade, mas que sofre com ataques de todos os lados.”Por outro lado, há o cidadão com um celular na mão, que também passou a produzir diversos conteúdos. Às vezes, sem rigor técnico. “Ele tem a liberdade de colocar e compartilhar aquele momento. Só que ao mesmo tempo, deve-se ter cuidado para não ocasionar problemas.”A presidente afirma que jornalistas, comunicadores e sociedade em geral, têm a responsabilidade nos casos de disseminação de uma falsa notícia. A todos cabem o entendimento do impacto da difusão de algo irreal num mundo onde a viralização é rápida. “Ao divulgar na internet, não se esquece mais, o registro fica para sempre”, diz.Neste cenário, Patrícia ressalta o papel das redes sociais, principalmente o Facebook e o WhatsApp, que podem contribuir com a disseminação da informação numa velocidade maior. “No aplicativo de celular você recebe uma mensagem de alguém próximo, do seu ciclo social. O que dá credibilidade à informação então é quem compartilhou e não quem produziu.”Desta forma, a pós-verdade, ou seja, como um fato é enxergado e então disseminado, acaba se fortalecendo. Dentre os exemplos, Patrícia lembra o jogo da Baleia Azul que ganhou as páginas no último mês. Uma notícia falsa, criada na Rússia, que ganhou uma narrativa bem construída e acabou se tornando algo real. No Brasil, ainda não há casos confirmados.Outra história, é o vídeo viral com pombos numa suposta fábrica da Ambev. A empresa investiu em campanha para tentar reverter a situação. “Quem acusa tem sempre o benefício de acusar sem precisar ter prova e quem se defende, demora para se defender”, enfatiza.A palestra Pós-verdade e Fake News - Conceitos Contemporâneos de Comunicação que Favorecem Crises de Imagem fez parte da programação de uma seminário sobre gerenciamento de crise promovido pela Secretaria Estadual de Gestão e Planejamento (Segplan).-Imagem (1.1275256)