O novo reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), o procurador do Estado Rafael Gonçalves Santana Borges, deve ficar pelo menos três meses com interventor da instituição, com possibilidade de permanecer mais tempo. O prazo mínimo de permanência é de dois meses, mas o secretário de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi), Adriano da Rocha Lima, afirma que esse período deve ser estendido por pelo menos um mês, chegando a 90 dias de permanência.Questionado se havia risco de o interventor ficar por mais tempo, Lima respondeu que sim. “Risco tem, mas não tem nada disso planejado”, disse. Sobre a possibilidade de o procurador ficar como reitor da UEG até as próximas eleições da instituição, o secretário respondeu afirmativamente, pensando seja nas eleições para mandato tampão (até dezembro deste ano) ou definitivo (de quatro anos). Isso porque estas últimas já poderão ser feitas a partir de janeiro, quando haverá passado 3/4 desta gestão, permitindo que se faça uma votação definitiva. Até lá, Rafael Borges estará como reitor a pouco mais de três meses - conforme previsão máxima do secretário, de que o cargo deve ser ocupado pelo procurador por até 90 dias.*Rafael Borges foi nomeado nesta sexta-feira (20) reitor pelo governador Ronaldo Caiado (DEM). Ele atua desde o início do ano na Sedi, pasta responsável pelos assuntos relativos à UEG. O secretário afirma que, se for possível, concluirá em dois meses a intervenção. Entretanto, segundo ele, a Sedi acompanhava a situação da universidade, mas não estava lá dentro. “Precisamos fazer um levantamento interno para ter certeza das informações. Mas a minha estimativa é três meses (de intervenção)”, disse.Conforme Lima, a prioridade do novo reitor é colocar a UEG dentro do orçamento, e em um caminho que ela tenha uma melhor qualidade. Segundo o secretário, no orçamento aprovado no fim do ano passado para este ano, a universidade teve direcionamento de R$ 204 milhões, valor que foi aumentado este ano, de acordo com ele, em cerca de 30%, indo para R$ 260 milhões. E hoje, a previsão de gastos da instituição, segundo Lima, está chegando a R$ 315 milhões. “Estão totalmente fora do orçamento, e ainda uma diferença de R$ 40 milhões em relação ao ano passado”, disse.O secretário afirma que a previsão de gastos este ano superou o ano passado porque a instituição criou cursos sem planejamento, e este ano foi possível ver os reflexos dessas ações. O gestor exemplificou ainda pontuando outro gasto que, segundo ele, só ocorre na UEG. “O pós-doutorado não é reconhecido como graduação acadêmica. É até o doutorado. E lá na UEG você tem uma progressão de salário se você faz pós-doutorado”, disse. Conforme Lima, professores ficam buscando fazer pós-doutorado para aumentar a remuneração e sem ter uma contrapartida de pesquisa acadêmica.SaídaA intervenção ocorreu depois da renúncia do então reitor Ivano Devilla, na última quinta-feira (19). Ele estava há seis meses substituindo interinamente o ex-reitor Haroldo Reimer, que renunciou em abril. Em uma carta divulgada nesta sexta-feira, Devilla disse não acreditar “em uma interinidade sem data para terminar” e diz que não observa no governo “agilidade para nomear os cargos de gestão e organizar a consulta na universidade para reitor ainda em 2019”.Estava previsto para ser publicado nesta semana o edital para chamar as eleições. Depois da saída de Haroldo Reimer, em abril deste ano, o Conselho Superior Universitário (CSU) consultou o governo estadual pedindo que houvesse uma eleição definitiva com mandato de quatro anos ainda este ano, e não uma eleição tampão até agosto do ano, quando haveria novas eleições.A Sedi, entretanto, negou o pedido, baseando-se em um parecer da Procuradoria da pasta. Foi feita, então, uma consulta à Controladoria Geral do Estado (CGE). No final de agosto, sem uma resposta, o CSU decidiu realizar a eleição para mandato tampão, com previsão de que o nome escolhido tomasse posse entre outubro e novembro deste ano.Na carta, Devilla reclama de uma demora na definição por parte do governo e fala que está renunciando a uma “paralisia política que pode matar a UEG”. O secretário da Sedi, Adriano Rocha Lima, entretanto, afirma que o governo deu a resposta, usando como base o estatuto da própria instituição. Segundo ele, o documento apontava que uma eleição para quatro anos neste momento iria contrariar o estatuto.“Talvez não tenha sido a resposta que ele (Devilla) queria, mas nós respondemos. Seria irregular (uma eleição definitiva). Não posso corroborar com algo irregular. E eu tive o cuidado de consultar a procuradoria”, disse Lima. Segundo ele, só na última reunião, há cerca de duas semanas, o CSU decidiu fazer a eleição para mandato tampão. “Não foi inatividade do governo. Quando eles pediram eleição de 4 anos, a gente retornou dizendo que isso feria o estatuto, com o parecer da procuradoria”, frisou.Vestibular irá acontecerO secretário de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi) de Goiás, Adriano da Rocha Lima, garante que o vestibular da Universidade Estadual de Goiás (UEG) deve acontecer normalmente, mas não para 100% dos cursos. Isso é devido à reestruturação que deve ocorrer na instituição, além da avaliação de alguns cursos que precisam cumprir alguns critérios para que continuem existindo. Em nota elaborada pelo governo de Goiás para anunciar a nomeação do procurador Rafael Borges para o cargo de reitor, a gestão pontua que “nem mesmo o vestibular de 2020 foi garantido” e que “decisões judiciais não estão sendo cumpridas”. O secretário Adriano Lima também fala sobre questões, dizendo que a instituição está sem eleição de reitor ou vestibular definido. “Imagina, em setembro não ter o edital de vestibular até agora. É uma situação bastante caótica”, afirmou.A nota governo também diz que o estatuto da UEG confere ao governador a definição de rumos para a universidade em situações de caos, “como a que vivemos hoje”. O texto afirma que Borges ficará como reitor “pelo período necessário à restituição da instituição a uma condição de normalidade”.Lima pontua que como o reitor havia renunciado, e o pró-reitor que assumiu interinamente também, o estatuto prevê que o governo deve nomear um reitor para ficar por 60 dias, podendo o período ser prorrogado caso a situação não volte à normalidade. “Caiu na obrigação do governo agir”, disse o secretário.Questionado sobre o motivo pelo qual o governo já não convocou as eleições ao invés de nomear um reitor, Lima explicou que o processo tem um rito demorado, que pode levar meses. “Não pode deixar a universidade à deriva.”O secretário pontuou que hoje alguns dos problemas da instituição passam por uma má qualidade de alguns cursos, aliada com a baixa procura por outros. “Tem 11 cursos de História em câmpus diferentes. E não tem uma uniformidade curricular entre eles”, disse. 19 câmpus podem ser vinculadosA Comissão de Reestruturação da Universidade Estadual de Goiás (UEG) apresentou nesta sexta-feira como proposta a vinculação de 19 câmpus a outras unidades com o objetivo de se reestruturarem. No documento, publicado no site da instituição, a comissão divide os câmpus em quatro portes: porte 1, 2, 3 e 4. Dentro da divisão, somente um câmpus, em Anápolis, é de porte um, o que significa que é uma unidade consolidada. No total, a comissão avaliou que 15 câmpus estão em processo de consolidação e precisam apresentar um projeto para conseguir se consolidar nos próximos anos. Já seis unidades foram caracterizadas como porte 2, o que significa que elas devem buscar ações para evolução contínua. Dentre as unidades que precisam se vincular a outras, por exemplo, estão as Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Jataí, Mineiros, Crixás, Minaçu, Niquelândia e Pirenópolis. O relatório fala que os câmpus de porte 4 precisam se vincular a um de porte 2 ou 3 que esteja mais próximo ou que tenha mais afinidade acadêmica, desde que o outro tenha condições administrativas para dar suporte ao câmpus vinculado. Já em relação às de porte 3, as que não apresentarem viabilidade administrativa e de recursos humanos para oferta de cursos poderão se juntar a outra unidade do mesmo porte ou superior que apresente condições administrativas para dar suporte. O grupo foi indicado pelo Conselho Superior Universitário (CsU). No relatório é proposto que os câmpus tenham até outubro deste ano para apresentar a proposta de vinculação a outra unidade, ou apresentar uma proposta viável de junção de vários câmpus porte 4. As unidades vinculadas serão administradas pelo diretor do câmpus ao qual estará vinculado, a partir de 2022. Contudo, o processo de transição deverá se iniciar no ano que vem.O relatório foi enviado para todos os câmpus para que os diretores façam as discussões com as comunidades locais, conforme assessoria da UEG. A partir daí, esta discussão vai para o CsU, onde cada câmpus tem um representante. O Conselho, então, deve deliberar pela aprovação ou não da proposta. Caso seja aprovada, serão montadas oito subcomissões para que cada uma aplique os critérios nas regiões específicas. *Informação corrigida às 00h12, do dia 21/9. Anteriormente constava o seguinte trecho: "Sobre a possibilidade de o procurador ficar como reitor da UEG até as próximas eleições da instituição, no final do ano que vem, quando termina esta atual gestão, o secretário respondeu afirmativamente.” As eleições definitivas, entretanto, podem ocorrer já em janeiro de 2020.