Bruno Pena, advogado do empresário Guilherme Moreira, 27 anos, que recebeu por engano um depósito de R$ 18 milhões e comprou um Porsche, afirma que ainda não teve acesso ao inquérito que foi finalizado pela Polícia Civil na tarde desta terça-feira (30). A defesa afirma que não houve prática criminal e que o dinheiro depositado erroneamente pelo Banco Safra já foi devolvido em quase totalidade. Além disso, aguardam devolução do veículo conforme decisão da 3ª Vara Criminal de Goiânia do último dia 25 de julho.“O próprio juiz que determinou o sequestro do veículo pelo Banco Safra, revogou a medida no último dia 25. A devolução deve ser imediata, após o banco ser oficialmente notificado sob pena de responder ao crime de desobediência. Até o presente momento, a defesa não teve acesso ao teor do inquérito finalizado e uma advogada da minha equipe está no 8º DP aguardando a entrega do documento”, explicou Bruno Pena.O advogado defende que o o relatório conclusivo do inquérito é apenas uma tese vazia baseada em “meras suposições”. Diz ainda que não foi submetida à ampla defesa e que isso só acontecerá caso o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) apresente denúncia e esta, por sua vez, seja recebida pelo juízo criminal. “Aí sim teremos uma ação penal e acredito muito pouco que permaneça nos tribunais. Não houve crime praticado na esfera cível. O delegado também falou em lavagem de dinheiro, mas desconheço a prática deste crime. Todo esse transtorno foi causado exclusivamente por um erro do banco”, completou.Guilherme Moreira já devolveu quase a totalidade do dinheiro depositado de forma equivocada. No total, restam aproximadamente R$ 280 mil porque o banco estaria cobrando juros que a defesa não concordou em pagar. “O fato aconteceu na madrugada de 27 de dezembro e no dia 1º de janeiro deste ano,o próprio Guilherme comunicou sobre o acontecido. Ajuizamos uma ação na vara cível informando o acontecido, todas as transações, que carro era do Guilherme e que o dinheiro era do banco”, finaliza.Inquérito finalizadoO empresário Guilherme Moreira, 27 anos, que recebeu por engano um depósito de R$ 18 milhões e comprou um Porsche, foi indiciado por apropriação de coisa havida por erro, lavagem de dinheiro e mais três crimes de falsidade ideológica. O inquérito que investigava o caso foi concluído na tarde desta terça-feira (30) pelo delegado Kleber Toledo, titular da 8ª Delegacia da Polícia Civil de Goiânia. O pai do empresário e uma amiga do jovem também foram indiciados pela Polícia Civil. Todos responderão ao processo em liberdade. Se condenado, Guilherme pode pegar até 25 anos de prisão.O casoO caso veio à tona em abril deste ano, quando a Polícia Civil desencadeou a Operação Bienna que apreende o carro de luxo na casa de Guilherme Moreira. De acordo com o delegado Kleber Toledo, entre os dias 26 e 27 de dezembro de 2018, por uma falha no sistema de conciliação de vendas com cartões de crédito/débito do Banco Safra S.A., ocorreram créditos indevidos em contas correntes de centenas de clientes por todo o Brasil. Um desses clientes foi a empresa Estevam Carnes Nobres e Exóticas Eireli, de propriedade de Guilherme, em cuja conta foram creditados mais de R$ 18.6 milhões.Segundo a Polícia, o empresário teria se apropriado de parte do montante e tentou realizar transferências eletrônicas por meio de internet banking que, juntas, somaram mais de R$ 1.1 milhão. As transferências seriam realizadas para a conta do pai, para outra conta da empresa em outro banco e para outras empresas, mas as operações foram bloqueadas. Apenas uma transferência teve sucesso, no valor de R$ 280 mil, dinheiro com o qual o empresário teria pago o Porsche.