O livro “Do achado ao laudo: estratégias de diagnóstico por imagem em endometriose” venceu a terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico na categoria Medicina, na última terça-feira (11), em evento que ocorreu em uma cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. A premiação ocorre desde 2024 e é concedida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). A publicação tem como organizadores principais os médicos Ana Luiza Santos Marques, Pedro Pires Ferreira Neto, Rui Gilberto Ferreira e Waldemar Naves do Amaral. Os dois últimos são docentes da Universidade Federal de Goiás (UFG), atuando na área de ginecologia.O professor e médico Rui Gilberto Ferreira afirma que a publicação faz parte dos projetos da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia (SBUS), que já realizou mais de 22 livros a respeito de imagens voltadas à área de ginecologia e obstetrícia. “Nesse livro, resolvemos publicar desde o achado de imagem até o laudo da endometriose. Foram reunidas experiências dos autores, com a organização da doutora Ana Luiza, que é uma referência da área”, conta. Segundo explica, em média, as mulheres ficam de sete a oito anos para a definição do diagnóstico da endometriose.“Com a expertise e as atualizações que a gente traz nesse livro, vai ser possível reduzir bastante esse tempo para o diagnóstico. Teria também como utilizar as imagens de ressonância, mas é um exame muito mais caro e menos difundido e capilarizado nos consultórios; já a ultrassonografia tem maior acesso. O livro tem a ideia de orientar o exame para mapear e ter melhor esse diagnóstico”, comenta Ferreira. O professor reforça que cerca de 10% das mulheres possuem a endometriose e que esse índice chega a 40% se levado em conta apenas a população com dificuldade para engravidar.Ele explica que se trata de uma doença bem conhecida, mas com difícil diagnóstico, por se apresentar pequena ou mesmo de maneira difusa, em outros órgãos. “Esse livro é uma obra que vem para mostrar as diversas experiências de imagens que os médicos recebem para conseguir identificar que se trata da endometriose”, diz. De acordo com o Ministério da Saúde, a endometriose é “uma doença caracterizada pelo desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais (partes do tecido que reveste o útero internamente) fora da cavidade uterina”. Esse deslocamento do tecido, segundo consta, pode provocar uma reação inflamatória crônica.Entre os sintomas mais característicos estão a cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual com penetração, infertilidade e queixas intestinais e urinárias com padrão cíclico. Para Ferreira, a publicação vencedora do Prêmio Jabuti Acadêmico é ideal para estudantes do curso de Medicina a partir da segunda metade da graduação, para residentes e/ou pós-graduandos e profissionais da saúde da mulher, especialmente na área da ginecologia e obstetrícia e para quem atua com imagem. “Essas pessoas deveriam ter esse livro debaixo do braço para identificar o diagnóstico da doença.”O professor ressalta ainda que receber a premiação nacional, na modalidade Medicina, enobrece a UFG. “É muito importante, pois uma das missões da universidade, além do ensino e da extensão, é a pesquisa, e essa publicação vem para orientar a medicina em geral, é a medicina na fronteira do conhecimento”, reflete. O Prêmio Jabuti é a mais tradicional premiação literária nacional, criada em 1958. A vertente acadêmica concentra-se exclusivamente em valorizar livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos nacionais, com a chancela de entidades científicas.