Atualizada às 20h24O serviço de coleta domiciliar de Goiânia volta a apresentar problemas. Este é o relato de moradores e empreendedores de bairros das regiões Norte, Oeste, Sudoeste e Sul de Goiânia. A informação é de que o serviço continua a ser realizado, mas não tem a regularidade prevista. Por outro lado, o recolhimento de recicláveis, que apresentou problemas, na semana passada, voltou a funcionar. Os serviços relativos a resíduos na capital apresentam uma série de crises desde janeiro deste ano.Em bairros onde a coleta domiciliar deveria ser realizada três vezes por semana, o relato é de que o serviço chegou a ficar toda a semana passada sem a realização. Na maioria dos casos ouvidos pelo POPULAR, o atraso é menor, mas recorrente. A situação é mais crítica nos bairros afastados da região central.Proprietária de uma clínica veterinária no Jardim Atlântico, na região Sudoeste de Goiânia, Rainela Carvalho afirma que o serviço tem demorado. “Na semana retrasada o caminhão da coleta não passou nenhuma vez aqui”, reclama. Também na mesma região, nos bairros Jardim Vila Boa e Parque Amazônia, havia muito lixo acumulado, conforme verificado pela reportagem.No Jardim Balneário Meia Ponte, bairro da região Norte, a realidade é a mesma. A situação é descrita pelo microempresário de uma autoescola. Washington Monteiro diz que o transtorno é grande. “Às vezes deixamos restos de alimento na lixeira, cachorro vem e fica bagunçando, isso provoca larvas de mosquito também.”No Conjunto Vera Cruz, também há informação do não cumprimento das três coletas previstas na semana para os dias terça, quinta e sábado. “Há cinco meses que está com problema. Esta semana não passou, as lixeiras estão cheias”, diz a manicure Jhenyffer Stefane. A reportagem ouviu ainda relato de que o Parque Atheneu enfrenta problemas.Proprietário de uma empresa que instala e realiza manutenção em ar-condicionado no Jardim América, Maycon Gleik conta que o serviço não apresenta instabilidade no bairro, mas afirma conhecer localidades onde o problema ocorre. “Em outros setores eu vejo o problema. Instalei um aparelho no Jardim Novo Mundo hoje (ontem) cedo e o lixo estava bastante acumulado lá”, diz.Leia também:- Coleta seletiva fica prejudicada em Goiânia após Comurg atrasar pagamento milionário- Comurg atrasa depósito de FGTS para 5 mil servidores- Goiânia tem a quinta crise na coleta de lixo neste anoDentre os bairros mais distantes da região central que a reportagem fez contato com algum morador ou empresário, a Vila Mutirão foi o único onde o relato é de que o serviço obedece ao cronograma de três vezes por semana. No setor Oeste a informação é de que a retirada de resíduos ocorre normalmente.HistóricoConforme O POPULAR mostrou nesta semana, esta é a quinta vez que a coleta de resíduos de Goiânia apresenta problemas. Entre o meio da semana passada e o início desta a coleta seletiva ficou interrompida (leia mais ao lado).A primeira crise do serviço foi em fevereiro deste ano, quando os caminhões da coleta domiciliar pararam de circular. Por um problema no fornecimento de combustíveis, houve a interrupção. O transtorno durou ao menos uma semana.Em meados de agosto houve uma falha na coleta de recicláveis. Moradores dos setores Bueno e Jaó reclamaram. Os relatos eram de duas semanas com o problema. A maioria dos problemas foi causada por atrasos em pagamentos a fornecedores da administração municipal. Em setembro O POPULAR noticiou que o serviço não tinha voltado ao normal ainda.ComurgResponsável pela coleta de resíduos na capital, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) afirmou que a coleta de lixo está em dia. O serviço é realizado por 45 caminhões e tanto os veículos quanto o fornecimento de combustíveis é da própria Comurg, informou a companhia.A Comurg afirmou, no entanto, que possíveis atrasos na realização da coleta se devem a “problemas pontuais na manutenção dos veículos”. A companhia acrescentou que a frota é velha, com mais de cinco anos de uso.A Comurg orienta que reclamações podem ser feitas pelo 3524-8555 ou 98596-8555. Cooperativas de recicláveis voltam a receber materiaisAs cooperativas de recicláveis de Goiânia começaram a receber o materiais para tratamento. O serviço ficou interrompido por quase uma semana e os trabalhadores chegaram a protestar em frente à Companhia Municipal de Urbanismo (Comurg).Os cooperados relataram ao POPULAR que a perda financeira era grande com a paralisação da coleta seletiva. Eles apontaram que gastos com energia, água, aluguel e vigilância são onerosos e seriam impactados com a interrupção. Além disto, o prejuízo para a remuneração dos trabalhadores seria grande. O POPULAR apurou que os trabalhadores têm renda média de um salário mínimo por mês, ou seja, em torno de R$ 1,1 mil.A interrupção foi motivada pelo atraso em um contrato com a fornecedora de caminhões para a administração municipal, a Ita Empresa de Transportes LTDA. A alegação da terceirizada eram pendências financeiras. Quatro parcelas, referentes aos meses de maio a agosto, acrescidas de juros, totalizando R$ 9,67 milhões.A empresa ainda cobra outros R$ 17,87 milhões. Este valor refere-se a R$ 5,27 milhões de uma repactuação de mão de obra e R$ 12,60 milhões de serviço de mão de obra extra. O último montante está judicializado, diz a Prefeitura.Na terça-feira a Prefeitura de Goiânia divulgou um acordo com a ITA, confirmado por esta também. A parcela de maio já havia sido paga e a de junho é prevista para ser quitada nesta sexta-feira (14). Sobre as outras duas, de julho e agosto, a administração informou que iria apresentar um cronograma para as pendências.Conforme a Ita, além da coleta seletiva, o contrato envolve: “veículos para a retirada de galhos, retirada de podas de árvores, comboio (transporte de combustível), ambulâncias (para atendimento social dos funcionários), caminhões pipa (aguar jardins), triturador (tritura os galhos das árvores), vans e ônibus para deslocamento das equipes e ferramentas para as frentes de serviço, caminhões-caçamba para limpeza urbana e caminhões cata-treco”.-Imagem (Image_1.2540858)