O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) vai intermediar uma reunião entre a Prefeitura de Goiânia e a Celk Sistemas, empresa responsável pelo sistema de informação da rede pública de saúde da capital, na tarde desta sexta-feira (4). A intenção é resolver o imbróglio envolvendo a interrupção das atividades do sistema que atende a Saúde de Goiânia e tem causado problemas nos atendimentos prestados aos usuários.Segundo o documento ao qual O POPULAR teve acesso, a Celk teria créditos, desde outubro de 2024, no valor de mais de R$ 5,9 milhões, sendo R$ 4,5 milhões referentes a contratos vigentes e R$ 1,4 milhão ao período pós-vigência, quando a empresa manteve a operação sem contraprestação financeira e sem cobertura contratual.O POPULAR também teve acesso a um outro documento, um ofício enviado pelo secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, à Celk no dia 24 de março deste ano. No documento, Pellizzer propõe o pagamento de R$ 4,4 milhões da dívida em seis parcelas, além da apuração do período em que a empresa prestou serviços sem cobertura contratual e autuado processo para pagamento indenizatório, com prazo de conclusão do processo de 90 dias. O ofício ainda continha uma proposta de celebração de novo contrato por inexigibilidade de licitação, com duração de 90 dias, mantendo o mesmo escopo dos contratos anteriores. O valor proposto era de R$ 450 mil. Do outro lado, a Celk alega que tentou negociar com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mas não obteve garantias para a continuidade da prestação dos serviços. Diante da manutenção do impasse, a Celk decidiu interromper os serviços de forma escalonada. Em nota, a empresa informou que não deseja a interrupção do serviço, mas “não consegue mais suportar os custos gerados pela prestação dos serviços sem receber”. Sobre a reunião desta sexta, a Celk afirmou que “acredita e espera sinceramente que o Município se comprometa ao pagamento e regularize a ausência de contrato”.A SMS comunicou que “renegociava há três meses com a empresa o pagamento de passivo de aproximadamente R$ 5 milhões, no entanto, os representantes da Celk exigiam que o montante fosse pago em apenas três parcelas, o que a secretaria não tem condições de atender”. A pasta ainda reiterou que “possui licença de uso perpétua do software de gestão integrada CELK e que a empresa era contratada para o gerenciamento e hospedagem de banco de dados do sistema”.O procurador-geral do Município, Wandir Allan de Oliveira, afirma que caso a reunião com a Celk não seja frutífera, a Prefeitura irá judicializar a questão. “Estamos falando de saúde pública. O sistema viabiliza ações essenciais para a Saúde. Eles não podem usar esse tipo de ameaça para atingir finalidade econômica. Eles têm outros meios para isso. Caso não ajam com razoabilidade, retomando o sistema e permitindo que façamos uma transição gradual dos dados, iremos procurar medidas judiciais”, finaliza Oliveira.