Às 5h15 da manhã da sexta-feira (8), na Avenida T-9, a escuridão quase esconde a silhueta da mulher que, sozinha, espera pela linha 028 para ir do Jardim Europa até o Terminal da Bíblia, no Setor Leste Universitário, em Goiânia, e então pegar outro coletivo para chegar ao condomínio Aldeia do Vale, onde presta serviços a um idoso. Essa é Leila Góes, cuidadora de 50 anos, uma das muitas mulheres que se arriscam nas primeiras horas do dia, antes de o sol nascer, em pontos de ônibus. Leila acorda às 4h40 da manhã e gasta cerca de uma hora e 20 minutos para chegar à casa do idoso, de segunda a sexta-feira. No ponto de ônibus, ela diz sentir medo de ser assaltada ou de sofrer alguma violência de gênero, como assédio ou estupro. A cuidadora está há dois anos nessa rotina e disse que há dois dias percebeu a presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Goiânia no horário em que pega ônibus. “Mas antes não passava”, contou, antes de subir no coletivo que acabava de chegar. No dia 29 de abril, há pouco mais de uma semana, o prefeito Sandro Mabel (UB) lançou a operação Bom Dia, Goiânia, uma força-tarefa para alocar viaturas da guarda em pontos de ônibus da cidade, das 4 às 6 horas da manhã, todos os dias.