No dia 25 de setembro de 1987, o então secretário de Saúde de Goiás, Antônio Faleiros Filho, estava em São Paulo, em viagem oficial, quando recebeu um telefonema de um assessor. Ele contava que uma família inteira, que morava no Setor Aeroporto, em Goiânia, estava passando mal e achava que era por conta de uma coca-cola estragada. Faleiros, então, voltou à capital no dia seguinte e encontrou o físico Walter Mendes Ferreira, que lhe explicou tratar-se de um acidente radioativo com césio 137. Médico de formação, ele afirma ao POPULAR: “Nunca escondemos uma vírgula do que estava acontecendo”. Hoje aos 78 anos, quase 39 anos após trabalhar para conter a contaminação do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear, Faleiros conta detalhes da atuação do governo estadual e reclama da falta de apoio do governo federal. “Na época, nos sentimos totalmente desamparados.”. Classifica a cobertura da imprensa nacional como sensacionalista, lembra das interações com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e se emociona ao falar do enterro da menina Leide das Neves e de Maria Gabriela Ferreira. “Coisa que nunca vimos na história da humanidade. Pessoas negadas ou impedidas de serem enterradas, de serem sepultadas”, lamenta.