*Atualizada em 12/1 às 12h58O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional), Roberto Serra, afirmou ser uma “conduta reprovável”, do ponto de vista ético, e passível de censura o fato de um advogado fazer a defesa da vítima e do suspeito em um mesmo caso.A declaração foi dada à TV Anhanguera em referência ao caso de uma advogada que defende uma empresária de 28 anos e, ao mesmo tempo, um comerciante de 56 anos suspeito de agredir a mulher, em Goiânia.Conforme Serra, “o sigilo profissional é a principal característica e o pilar do exercício da advocacia”. “Então, se o advogado passa a ter um contato com uma determinada pessoa e, posteriormente, ele tem contato com a parte adversa, ou uma pessoa que de certa forma tem interesse ou está envolvida diretamente com o caso, esse conflito de interesses, esse patrocínio infiel acaba por macular o sigilo profissional”, pontuou.A reportagem tentou contato com a advogada por telefone e Whatsapp, mas não obteve retorno. Porém, à TV Anhanguera, ela afirmou não haver “nenhuma irregularidade” na situação. O POPULAR também entrou em contato com a OAB-GO, que respondeu o que segue:"NOTAA Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) informa que os fatos apresentados pela imprensa são graves e, se comprovados, podem trazer consequências ético-disciplinares. Eventual processo ético é sigiloso e nada será feito sem observar o contraditório e ampla defesa.OAB-GO"Agressão e denúnciaA suposta vítima do caso em que a advogada defende ambas as partes cortou o pulso esquerdo no dia 3 de dezembro e foi levada para um hospital onde denunciou o namorado por agressão.Ela relatou que se feriu como forma de escapar da casa em que vivia com o comerciante e que sabia que, caso o companheiro não a levasse para o hospital, poderia morrer. Segundo a vítima, o suspeito a agredia e a ameaçava, impedindo-a de ter contato com familiares. No dia do fato, ela teria levado tapas no rosto e sido ofendida de forma violenta.Entretanto, no dia 6, já sob orientação do escritório de advocacia, a empresária esteve na delegacia para retirar a queixa contra o namorado. Já na segunda-feira (9), a advogada do comerciante aparece em uma procuração como representante também da vítima em um pedido protocolado na Justiça para o arquivamento do processo e a revogação da medida protetiva.O comerciante chegou a ser preso no dia 3, quando tentava deixar o hospital junto com a namorada, mas foi solto horas depois. Já após a intervenção da advogada, a vítima diz que sofre com transtornos psicológicos e que teve um surto no dia.Leia também:OAB-GO apura caso de advogada que defende vítima e suspeito, em GoiâniaMulher que cortou pulsos para denunciar agressão é defendida por advogada do marido e retira queixa