Foi iniciada nesta segunda-feira (21) a retirada dos resíduos sólidos resultantes do desabamento de uma pilha de material do Aterro Ouro Verde – considerado um lixão pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) –,no município de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal. A operação em curso está sendo executada pela empresa proprietária do empreendimento, a Ouro Verde Construções e Incorporações Ltda, de acordo com o que foi estabelecido em um termo de ajuste de conduta (TAC) com a secretaria estadual, assinado no dia 11 de julho. O prazo para conclusão do trabalho de retirada, segundo a Semad, é de 45 dias. Para as ações, estão sendo utilizadas duas escavadeiras hidráulicas, nove caminhões para remoção – um deles pertencentes à própria empresa –, um caminhão-pipa, um rolo compactador e um trator de esteira. O rolo compactador tem a tarefa de fazer a melhoria do acesso ao local e também proceder a compactação da célula que receberá temporariamente os resíduos retirados. Estima-se que haja, aproximadamente, 42 mil metros cúbicos de material – volume superior ao de 16 piscinas olímpicas – a ser retirado da região, grande parte dele sobre o leito do Córrego Santa Bárbara, e tudo isso dentro de uma área de proteção ambiental (APA).Na sexta-feira (18), todos os recibos de contratação de serviços e de locação de máquinas foram apresentados à Semad, de acordo com o que também estava estabelecido no TAC assinado entre as partes. A Ouro Verde também disponibilizou uma empresa com acreditação para fazer o monitoramento da qualidade da água na região. As coletas para análise serão realizadas com periodicidade semanal, a cada sexta-feira. A primeira coleta ocorreu ainda na semana passada, em oito pontos do córrego afetado. A Semad já realizava análise de água desde o dia seguinte ao desmoronamento, mas seu laboratório, segundo a própria pasta, não tem a tecnologia necessária para fazer um estudo de mais profundidade em relação aos metais pesados que são mais frequentemente encontrados no chorume.O lixo retirado da grota em que se acumulou está sendo encaminhado, de forma temporária, para uma célula dentro da mesma propriedade da empresa, passando por um processo de cobertura por uma manta impermeabilizante. O material deve ficar seco. A partir de então, a empresa precisará encontrar um aterro sanitário com as devidas licenças obtidas que receba os rejeitos de forma definitiva. Como foiO desabamento do lixão Aterro Ouro Verde é considerado um dos maiores desastres ambientais da história de Goiás, como foi reiterado em posicionamentos como o da própria titular da Semad, Andréa Vulcanis. Ele ocorreu na manhã do dia 18 de junho e chegou a ser registrado em imagens. A ocorrência foi considerada, pelo Ministério Público, uma “tragédia anunciada”, já que havia recomendação do Ministério Público para suspensão do espaço, que continuava a receber material à custa de decisões judiciais.Desde o desabamento, houve críticas à demora da empresa responsável na resposta à crise então instalada. Enquanto isso, a Semad levou seus técnicos ao local já no dia do desastre e, a partir daí, liderou a instalação de um gabinete de crise, com o objetivo de mitigar os impactos e estabelecer diretrizes.A partir de então, as comunidades vizinhas ao lixão, na zona rural de Padre Bernardo, começaram a sentir os efeitos nocivos na própria qualidade de vida. Criações e plantações estão prejudicadas, como O POPULAR pôde observar in loco, e as famílias afetadas se sentem desassistidas e se mostram inseguras quanto ao futuro e à própria subsistência no local. Em meio ao início da retirada dos resíduos sólidos, nesta segunda-feira, e com a previsão de 45 dias para a finalização dessa etapa, a população espera novas medidas para mitigar os danos.