Desde setembro de 2022 o Projeto Transexualidade (TX) do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás está desabilitado no Sistema Único de Saúde (SUS). Criado em 2000 por iniciativa da médica ginecologista e obstetra Mariluza Terra Silveira, o serviço foi um dos pioneiros no país na modalidade e se tornou referência no Brasil e no exterior. Com a morte da profissional em 2019, mais de 30 pacientes que aguardavam a cirurgia de redesignação sexual no HC ficaram desassistidos. Mulher trans, Yasmin Pereira da Silva, 38 anos, é uma dessas pacientes. “Entrei em 2016 e estava super animada para fazer a cirurgia de redesignação, mas com o tempo passando, fui desanimando. Se eu conseguisse pelo menos fazer a mama, já ficaria feliz.” Diarista e cuidadora de idosos, Yasmim conta que procurou o serviço tardiamente. Depois de enfrentar a rejeição da família e de conhecidos no interior do Maranhão, onde nasceu, veio para Goiânia e ávida para encontrar a mulher que existia nela fez aplicações de silicone industrial na clandestinidade. Hoje sente dores e desconforto depois que o líquido desceu para as pernas.