O pirarucu, de nome científico Arapaima gigas, é um dos peixes mais emblemáticos do Brasil, pelo porte avantajado e também pela carne saborosa. Natural dos rios amazônicos, no fim do século passado esteve ameaçado de extinção. Leis e programas foram implantados para protegê-lo e a espécie recuperou sua população. Nos últimos tempos, o cenário passou a ser outro: com o avanço do mercado de consumo e pesca esportiva, o pirarucu acabou se instalando em águas das outras bacias hidrográficas nacionais. O peixe tornou-se espécie invasora e nociva ao ecossistema. Resultado: as políticas públicas agora apontam que, com as devidas licenças, pescar pirarucu em parte do Estado de Goiás se tornou ecologicamente correto. O mesmo acontece com dezenas de outras espécies, entre elas dois peixes bastante procurados, o tambaqui (Colossoma macropomum) e o tucunaré-azul (Cichla piquiti). O primeiro pode ser fisgado em qualquer rio goiano, consumido e transportado em quantidade livre. O mesmo pode ser feito com o tucunaré-azul, desde que fora da Bacia do Araguaia-Tocantins, da qual é nativo – a espécie virou invasora no Paranaíba e seus afluentes.