As solicitações por leitos para a Covid-19 na rede estadual de Goiás tiveram crescimento de 50% na comparação deste com o último mês. O acompanhamento feito pela Regulação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) acarretou na retomada e abertura de leitos específicos para a doença. A SES diz que a decisão de abrir novas vagas observa tanto o aumento de casos e internações nas últimas semanas como a proximidade com o período das festas de fim de ano.O número de leitos destinados exclusivamente para pacientes com Covid-19 atingiu, nesta quinta-feira (15), os mesmos patamares dos meses de março e abril deste ano. Observando os leitos das redes públicas e privadas, o número de UTIs ofertadas passou de 15 no dia 15 de novembro para 100, o mesmo volume de abril. Já as enfermarias, que totalizavam apenas cinco em 15 de novembro, agora somam 100, volume observado anteriormente apenas em março.A ocupação cresceu quase na mesma proporção da abertura dos novos leitos, com atuais 62% entre as enfermarias e 86% entre as UTIs (confira o quadro). Apesar disso, a alta ocupação mesmo com novos leitos não pode ser vista como um termômetro preciso da evolução da pandemia. Conforme explica o superintendente da Regulação da SES, Luciano de Moura, até o mês passado muitos pacientes com Covid-19 estavam em leitos de isolamento que não eram nomeados especificamente para o tratamento da doença.Leia também:- Aumentam internações entre crianças por Covid-19 em Goiás- Sequenciamento Genômico de Aparecida confirma primeiro óbito pela sublinhagem BQ 1.1- Santa Casa de Anápolis pode fechar ao menos 50 leitos de UTI por falta de verba, diz deputado“Durante um período a SES manteve um número mínimo de leitos de UTI para Covid-19 no HDT. E os demais, onde era possível, estavam sendo alocados nos isolamentos de UTIs comuns”, explica. Normalmente uma UTI tem dez vagas, sendo uma de isolamento. “Com o aumento de casos, o número de leitos de isolamento passou a não ser suficiente. Então, por isso foi necessário definir novamente os leitos específicos”, diz Moura.“Por isso que o critério taxa de internação não é suficiente para medir o impacto da pandemia”, afirma o superintendente de regulação ao destacar que índices como a média móvel de casos se mostram mais precisos para observar a evolução da pandemia. Na semana do dia 15 de outubro, a média móvel em Goiás estava em 116,7 casos em sete dias. Já a atual, da última semana, está em 505,71. Ainda assim, muito distante dos outros dois picos observados neste ano: 12 mil em janeiro e 6 mil em junho.CaracterísticaNa Regulação Estadual, um dado chama atenção. Conforme relata Moura, 70% das solicitações por leitos de Covid-19 não são de pacientes que procuraram unidades de saúde para tratar da doença. Trata-se de pacientes que deram entrada por motivos diversos, precisaram de internação e após exames testaram positivo para a Covid-19, implicando na necessidade de serem isolados em leitos específicos.“Tenho paciente que sofreu um AVC, que não tem nenhum sintoma respiratório, mas para ir para o hospital e ser internado na UTI, precisou fazer o teste de Covid-19 para garantir que ele não estava com a doença e acabou positivando. Mas uma característica dessas internações é que assim que ele deixa de positivar, é transferido para um leito comum”, detalha Moura.NovosNesta quinta a SES anunciou a abertura de 60 leitos de enfermaria e de 24 de UTI, sendo 20 leitos de enfermaria e 14 de UTI no Hospital Sagrado Coração de Jesus, em Nerópolis; dez de enfermaria e dez de UTI no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, e no Hospital Estadual Centro-Norte Goiano foram abertos 30 leitos de enfermaria. A tendência é de que haja a abertura de novos leitos nas próximas semanas, conforme informado pela Regulação.COE retoma reuniões após 5 mesesDiante da piora nos números da Covid-19, o Centro de Operações de Emergências (COE) voltou a realizar reuniões para discutir o quadro da pandemia em Goiás. O grupo de entidades que abrigam secretarias e outros órgãos de saúde não se reunia desde junho. A retomada se deu no dia 30 do último mês.A superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Flúvia Amorim, que faz parte da coordenação do COE, diz que o grupo continua ativo e que as reuniões são reativadas de acordo com a situação epidemiológica. “Como teve um novo aumento de casos, nossa terceira onda do ano, entendemos que era o momento de reativar as reuniões do COE”, explica. Nas três reuniões realizadas desde então, o grupo discutiu a baixa cobertura vacinal entre crianças e a intensificação de recomendação do uso de máscaras para grupos de risco. “Por ora, vimos que isso é suficiente. Quando fizemos o mesmo nas ondas de janeiro e junho, mais pessoas voltaram a usar máscaras, por exemplo”, diz Flúvia. A ampliação dos leitos específicos para a Covid-19, que está se efetivando nas últimas semanas, também foi um dos temas debatidos pelo COE. “É uma necessidade imediata. Sempre precisaremos garantir que quem precisa tenha um leito disponível”, pontua. As reuniões do grupo ficarão novamente suspensas em razão do recesso de fim de ano. A expectativa é de retomada em janeiro, em data ainda não definida.-Imagem (1.2579014)