Enquanto o Plano Diretor de Goiânia, iniciado em 2017, já está na Câmara Municipal, a versão metropolitana do documento, denominada Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Goiânia (PDI-RMG), que começou em 2016, está parada há um ano. Professores da Universidade Federal de Goiás (UFG), que fez a parceria com o governo estadual para a realização dos estudos para o projeto de lei, afirmam que o trabalho não está paralisado totalmente, já que há a mobilização entre eles, com reuniões sobre o tema, mas confirmam que o ritmo é lento e que isso ocorre pela falta de pagamento do convênio.Ao todo, o governo deve à UFG atualmente R$ 740 mil referente à elaboração do PDI. No meio do ano passado, a dívida era calculada em cerca de R$ 200 mil e houve redução nos trabalhos desde o começo de 2018. Isto porque os atrasos no pagamento prejudicaram a participação de estagiários e alunos de pós-graduação na obtenção dos dados e realização dos estudos necessários para a elaboração do documento. Os estudantes passaram a negar os convites para a participação, já que não havia mais a garantia de receber em dia a bolsa prometida pela universidade.A paralisação total se deu depois que dois terços dos trabalhos foram cumpridos. A divisão feita para tal foi de realização do diagnóstico, que é a busca de dados e esclarecimento da situação atual de todos os municípios metropolitanos; da finalização das diretrizes para o novo plano, que significa os prognósticos feitos pelos técnicos como premissas para o que se deseja para a região metropolitana; e a finalização da minuta do projeto de lei. Os trabalhos ficaram estagnados após a audiência pública de apresentação das diretrizes.Coordenadora Geral e Técnica do PDI, a professora do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, doutora Celene Cunha Monteiro Antunes Barreira, relata que já está bem encaminhada a parte relativa à minuta do projeto de lei relativo ao plano metropolitano. “A equipe diminuiu o ritmo, mas não parou. Não nos desmobilizamos. Depois da minuta falta a audiência pública para referendar o trabalho e passar para o governo”, conta. Ela confirma que há o problema da falta de pagamento, mas que existe uma resolução a caminho, pois a gestão atual do governo entrou em contato com o grupo na última semana para retomar os trabalhos e negociar o pagamento.NegociaçãoA gestão do governador Ronaldo Caiado (DEM) também modificou a pasta responsável pela elaboração do plano metropolitano, que antes estava na área de meio ambiente e assuntos metropolitanos. Com a reforma administrativa, a responsabilidade passou a ser da Secretaria de Desenvolvimento e Inovação (Sedi). Em nota enviada pela pasta, a gestão informou que “entende a importância da conclusão do PDI-RMG, que está paralisado desde o ano passado por decisão da gestão anterior”.Esclarece ainda que “70% do projeto já foi concluído, restando 30% da execução e do repasse, que totaliza R$ 740 mil. O objetivo do governo do Estado é ter o PDI-RMG o mais rápido possível, pois é uma forma de contribuir com o debate para uma melhor atuação do poder público junto aos municípios para o desenvolvimento da região metropolitana”. Sobre a demora para a retomada, a Sedi informou que o projeto passou por uma análise criteriosa e que a pasta “aguardava a tramitação completa da reforma administrativa e a definição das competências de cada pasta”.De acordo com a professora Celene, a retomada dos trabalhos vai ocorrer sem prejuízos ao que já foi feito, pois há entendimento dos professores de que a contribuição da UFG para a sociedade não poderia ser prejudicada. Uma reunião com a Sedi deve ocorrer no final deste mês para selar o novo acordo. Falta realizar anexos e macrozoneamentoAlém da realização da minuta do projeto de lei do Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Goiânia (PDI-RMG), a coordenadora dos trabalhos de realização do mesmo, professora Celene Cunha, afirma que os técnicos também necessitam finalizar os projetos em anexo e o trabalho de macrozoneamento. Este último é considerado o mais importante de todo o projeto, já que determina as características de cada região da metrópole, como, por exemplo, quais áreas serão de preservação, quais de expansão urbana ou quais deverão ter restrições de ocupação.Celene também afirma que os atrasos no trabalho não vão prejudicar a realização do Plano Diretor de Goiânia. “A gente e os técnicos da Prefeitura estávamos integrados. Não vai ter uma perda. Nossa perspectiva é regional, mas claro que Goiânia é a cidade mais importante, cada dia mais precisamos pensar as cidades, apresentar soluções.” Ela lembrou que houve mudanças na região com a saída e depois retorno da cidade de Inhumas como integrante.