A Polícia Civil indiciou a mulher, a ex e a ex-sogra de Lázaro Barbosa de Souza, de 32 anos, que conseguiu escapar de um cerco policial por 20 dias em junho após a chacina de uma família em Ceilândia (DF). Elas são acusadas de ajudar Lázaro, que foi morto no dia 28 de junho em uma abordagem policial horas após visitar a ex em Águas Lindas de Goiás. A dona de casa Luana Cristina Evangelista Barreto, de 30 anos, ex de Lázaro, teria sido a última pessoa a conversar presencialmente com ele antes de ele ser encontrado pelas forças policiais entre a noite do dia 27 e a manhã do dia seguinte. Ele usou o celular dela para trocar mensagens com a mulher, Ellen Vieira da Silva, de 20. As duas e a mãe de Luana, Isabel Evangelista de Sousa, de 65 anos, vão responder pelo artigo 348 do Código Penal, que qualifica como crime o auxílio a suspeitos para que estes consigam escapar de uma ação policial. A pena prevista é de um a seis meses, apenas, ou multa.Essa investigação ficou sob responsabilidade do 1º Distrito Policial de Águas Lindas de Goiás, mas Luana e Ellen ainda são investigadas em outro inquérito, sob responsabilidade da delegada Rafaela Azzi, que até semana passada respondia como adjunta da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), em Goiânia. Este processo apura o envolvimento delas em uma suposta rede de apoio a Lázaro.RELATO DE VIZINHO Pesa contra Luana e a mãe dois fatos: relatos de vizinhos de que Lázaro poderia estar na casa delas desde o dia 26 pelo menos, pois estranharam a mudança no comportamento de ambas, e o depoimento de dois policiais civis para os quais as duas, numa primeira abordagem, não teriam dito que Lázaro estava na casa delas e depois teriam dito que haviam “se esquecido” de mencionar isso.Contra Ellen, entretanto, o relatório no qual a polícia pede o indiciamento das três não deixa claro quais os elementos contra a viúva de Lázaro. O delegado responsável pelo caso diz apenas que pelos contatos telefônicos já indícios de que ele “teria sido auxiliado por Ellen durante a fuga”. No inquérito é dito que os policiais civis chegaram a ficar a 120 metros de Lázaro, enquanto interrogavam Luana e Isabel na porta da casa delas, no Mansões Itamaracá, em Águas Lindas, por volta de 21h30 do dia 27. Um vizinho alertou os policiais e eles correram atrás do criminoso, que escapou pela última vez de um cerco.DENÚNCIASNa noite do dia 27, a polícia passou a receber uma série de denúncias de que Lázaro estava na região da casa da ex. Uma dupla de agentes foi lá às 19 horas, encontrou ambas na casa e elas teriam dito que não viam o fugitivo havia muito tempo. Posteriormente, após novas denúncias, os mesmos agentes retornaram ao local e desta vez elas confirmaram a presença dele ali.Apesar de as testemunhas afirmarem em depoimentos que “havia comentários” de que Lázaro estaria na casa de Luana e região desde o dia 25, ele só foi visto mesmo na noite do dia 27. Na tarde do dia 24, Lázaro havia sido visto em uma chácara em Cocalzinho de Goiás a 19 quilômetros dali, do outro lado da BR-070.Para este inquérito, Luana e Ellen ficaram em silêncio. Elas prestaram outro depoimento para o processo que tramita na DIH, onde negaram conhecimento sobre o paradeiro de Lázaro nos dias em que ele esteve fugindo e a origem dos R$ 4,7 mil em espécie que ele portava no domingo.A viúva de Lázaro confirmou em depoimento na DIH que trocou mensagens com Lázaro por celular enquanto este esteve na casa de Luana, mas que não conversaram sobre a fuga e sim sobre a filha de ambos, de 2 anos de idade, e sobre a vontade dele quer vê-la. Antes de pegar o celular da ex para falar com a mulher, Lázaro deu 300 reais em notas de 10 reais para o filho que tem com ela.Ellen e Lázaro apagaram as conversas que tiveram naquela noite em seus respectivos celulares, mas uma mensagem dela para o celular de Luana ficou e chamou a atenção da polícia: “Ainda bem”. Ellen disse que foi uma resposta para Luana após esta dizer que não foi agredida pelos policiais durante a abordagem.O inquérito foi remetido para a Justiça e será avaliado pelo Ministério Público do Estado de Goiás. Nos últimos dias, a Polícia Civil de Goiás já havia concluído e remetido ao Judiciário sete inquéritos envolvendo crimes cometidos por Lázaro Barbosa, sendo seis deles após a fuga do crime em Ceilândia. Em todos os casos, apontando ele como autor dos crimes, que vão de roubo a latrocínio, e o arquivamento do processo, visto que o criminoso está morto.Leia também:- Lázaro teria criado perfil falso nas redes sociais mesmo em fuga- Polícia de Goiás e DF concluem 4 inquéritos do caso Lázaro Barbosa- Polícia pede arquivamento de dois casos envolvendo Lázaro Barbosa- Lázaro Barbosa é morto após confronto policial nesta segunda-feira