Em menos de 15 dias, dois homens apontados como chefes do tráfico de drogas em Goiás foram presos no Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (9), uma operação conjunta das forças de segurança dos dois Estados resultou na captura de Cássio Dumont Martins Tavares, de 36 anos, apontado como líder da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia (RMG). No fim de dezembro de 2025, outro homem identificado como chefe do CV em Aparecida de Goiânia havia sido preso na zona sul da capital fluminense.Conhecido como Cascão, Cássio foi localizado pela Polícia Militar do Rio na Comunidade do Fallet, no bairro de Santa Teresa. De acordo com informações do g1 Goiás, ele comandava o tráfico de drogas entre diferentes Estados por meio de um sistema de entrega conhecido como “delivery”.O comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), tenente-coronel Ricardo Viana Aguiar, explicou que a localização e a prisão de Cássio foram resultado de um trabalho de inteligência, análise de dados e compartilhamento de informações entre o Bope da Polícia Militar do Estado de Goiás (PM-GO) e o da PM do Rio de Janeiro (Pmerj). A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) da Polícia Federal (PF) em Goiás também participou da ação.Segundo a PM-GO, Cássio era procurado por participação na explosão do muro e na fuga da unidade prisional de Trindade, em 2018. A ação criminosa teria sido planejada para possibilitar a fuga de diversos detentos. À época, a então Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) informou que dez presos conseguiram fugir e outros oito ficaram feridos.Em nota, a defesa de Cássio, representada pelo advogado Antônio Lucas do Carmo Araújo, informou que “recebeu com surpresa a notícia do cumprimento do mandado de prisão” e “que está tomando todas as providências legais para apurar as circunstâncias de sua prisão”. Sobre as notícias veiculadas a respeito de ele ser chefe do tráfico de drogas, a defesa comunicou que “se reserva do direito de manifestar em juízo”. De acordo com Araújo, no momento, Cássio está no presídio de Benfica, na capital carioca, e, em breve, deve ser recambiado para Goiás, onde cumpre pena por homicídio e roubo.Nas redes sociais, o governador Ronaldo Caiado (UB) publicou um vídeo que mostra o esconderijo e o momento em que o suspeito foi detido. No Instagram, ele escreveu: “Mudou de Estado achando que ia se esconder. Quebrou a cara. Cássio Dumont Martins Tavares, conhecido como ‘Cascão’, liderança do tráfico com ligação ao Comando Vermelho e atuação em Trindade, foi preso no Rio em uma operação integrada do BOPE da PMGO com o BOPE do Rio de Janeiro. Aqui tem inteligência, integração e decisão. Em Goiás, bandido não se cria”.Outro casoNo dia 28 de dezembro de 2025, Daniel Rodrigues dos Santos, conhecido como “Bozo”, foi preso na praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio. Ele foi apontado pelas forças de segurança como chefe do Comando Vermelho em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. A prisão também foi resultado de um trabalho de inteligência das polícias militares do Rio e de Goiás. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Daniel para comentar o caso. O espaço segue aberto.De acordo com a PM-GO, Daniel morava havia cerca de um ano na comunidade Parque União, no Complexo da Maré, na zona norte do Rio. Informações de inteligência indicam que ele também se escondeu na Rocinha, na zona sul carioca, durante o período em que esteve foragido.Ainda segundo a corporação, Daniel tinha mandado de prisão em aberto e estava entre os alvos da Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio. Durante a ação, ele conseguiu fugir e passou a se esconder em comunidades da capital fluminense.Conforme informações da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), divulgadas no início de novembro do ano passado, nove foragidos da Justiça goiana foram identificados entre os mortos na megaoperação ocorrida no Rio, considerada a ação policial mais letal já realizada no Brasil, com 121 mortos.