A composição do corpo de diretores da organização social (OS) que administra o Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM), reforça os elos de ligação da empresa com Goiás. A diretoria da Umanizzare Gestão Prisional Ltda., conforme apurado pelo POPULAR, é composta por pessoas que também exerceram cargos de diretoria em empresas do Grupo Coral, que teve a falência decretada pela Justiça em 2015 e que possui dívida atual avaliada em R$ 200 milhões. O Compaj foi onde ocorreu o primeiro massacre (56 mortes) da onda de matanças em presídios que acometeu unidades do Norte e Nordeste do País este ano. A possibilidade de ligação da OS com o Grupo Coral veio à tona na imprensa quando se descobriu que o ex-CEO do grupo, o executivo Lélio Vieira Carneiro Júnior, é do conselho consultivo da Umanizzare e chegou a ser indicado pela empresa, em 2014, para integrar a chapa que concorreria à presidência do Sindicato Nacional das Empresas Especializadas na Prestação de Serviços em Presídios e Unidades Socioeducativas (Sinesps).No site da Umanizzare, a reportagem encontrou uma notícia publicada em fevereiro do ano passado informando sobre o encontro da nova diretoria da OS com representantes do governo do Amazonas. Segundo consta, a diretora geral da Umanizzare é Marilene Araújo, que é ex-diretora geral do Grupo Coral. Além dela, aparecem ainda como gerente regional da empresa Divino Ronny Rezende, e como gerente nacional de operações, Rodrigo Geoffrey. Ambos também são ex-funcionários do grupo goiano, onde trabalharam como gerente de operações de negócios e gerente operacional, respectivamente. Os nomes de Marilene, Rodrigo e Divino aparecem como funcionários na relação de credores do Grupo Coral, publicada no Diário Oficial da Justiça de Goiás, em 16 de dezembro de 2011, e anexada à decisão que deferiu o pedido de recuperação judicial feito à época. O POPULAR também teve acesso à cópia de uma procuração de junho de 2012 e apresentada em pregão realizado em Rio Verde, na qual Lélio Vieira Carneiro, sócio-proprietário do grupo, autorizava que, entre outros diretores, a representação da empresa fosse feita pelos três.A Umanizzare foi aberta e registrada inicialmente em Goiás, na Junta Comercial do Estado (Juceg) e teve sede em Aparecida de Goiânia. Até agosto de 2016, manteve o registro original e se constituiu como sociedade limitada. A partir de então, conforme as alterações informadas à Juceg, tornou-se sociedade anônima, transferiu a sede para São Paulo e o registro foi para a Junta Comercial paulista (Jucesp). Segundo o Quadro de Sócios e Administradores (QSA), disponível no site da Receita Federal, a OS é administrada por Regina Celi Carvalhaes de Andrade e tem como diretora Arleny Oliveira de Araújo. O escritório de advocacia Quirino e Santana Sociedade de Advogados, de Goiânia, é o responsável pela administração da massa falida do Grupo Coral e está em busca de informações sobre a possível ligação entre as empresas, já que a lista de credores para serem pagos é grande. Em resposta ao POPULAR, a organização social, via assessoria de comunicação, reforça que não existe nenhuma relação com o Grupo Coral e que a Umanizzare é uma sociedade anônima constituída nas bases legais e permanentemente auditada. Diz, ainda, que emprega 2 mil colaboradores, sendo apenas casos isolados de conexão e que tais servidores “não deveriam ser marcados pelo histórico profissional”. Só entre 2013 e 2016, a Umanizzare recebeu em contratos de gestão de cinco unidades prisionais um total de R$ 651 milhões. Além da sede em São Paulo, ela possui outras dez filiais.