O primeiro relatório com os resultados iniciais do tratamento do chorume produzido no aterro sanitário municipal de Goiânia por meio de biomassa de microrganismos apresenta avanços em relação aos indicadores de quando o único tratamento dado ao material – um líquido altamente poluente, resultante da decomposição de resíduos orgânicos – era in natura em lagoas de contenção. A Prefeitura contratou de forma emergencial, no começo do ano, a Solos Solution, de Uberlândia (MG), para buscar alternativa ao envio do chorume para a estação de tratamento de esgoto (ETE) da Saneamento de Goiás (Saneago), no Setor Goiânia 2, às margens do Rio Meia Ponte.Levantamento feito em 28 de fevereiro, 45 dias depois de iniciado o tratamento pela empresa mineira, aponta índices elevados de remoção de carga orgânica de três tipos de parâmetros encontrados: a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), a demanda química de oxigênio (DQO) e o nitrogênio amoniacal (n-amon), além de reduções em outros parâmetros como sólidos suspensos totais e sulfetos. Nos três primeiros casos, em comparação com os indicadores de antes da instalação do novo tratamento, houve uma elevação de 70% para 73% (DBO); de 67% para 72% (DQO); e de 9% para 73% (n-amon). A resolução 430/2011 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que trata de condições, parâmetros, padrões e diretrizes para gestão do lançamento de efluentes em corpos de água, aponta que, no caso de efluentes de fontes poluidoras, como o chorume, o índice de remoção do DBO deve ser, no mínimo, de 60%. Não há indicador na resolução para DQO. Porém, em relação ao nitrogênio amoniacal, a norma do Conama exige um limite de 20 mg/L (miligramas por litro). Mesmo com a redução de 73% verificada no novo tratamento, o chorume apresentou um índice de 179 mg/L. Para atingir o que exige o conselho, a redução no caso do n-amon deveria ser de 98%.A Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), responsável pela gestão do aterro, afirma que os resultados mostram um avanço progressivo desde o início das dosagens da biomassa nas lagoas de chorume. A Solos Solution instalou uma biofábrica no aterro na primeira quinzena de janeiro e começou a aplicar a biomassa nas lagoas no dia 12 do mesmo mês. A pasta destaca que, antes da implantação do serviço pela empresa, os parâmetros eram piores. “A expectativa é de que os índices continuem melhorando com a continuidade do processo”, afirmou a Seinfra.O relatório da Solos Solution ao qual O POPULAR teve acesso tem 45 páginas, mostrando a evolução do tratamento ao longo de um mês e meio, com fotos em anexo e uma série de informações técnicas. Na conclusão, além dos parâmetros revelados, consta também a informação de que houve uma queda acentuada nos odores emitidos pelas lagoas de contenção e bastante flotação de matéria orgânica, “o que é esperado como resultado das atividades microbiológicas aceleradas” devido à aplicação da biomassa. Flotação é uma técnica usada para separação de minerais em tratamento de água e esgoto.A empresa também destaca no documento que esse primeiro relatório foi feito com base em dados coletados em semanas com muita chuva, época do ano que é “preocupante para sistemas de tratamento em lagoas” de chorume, pois afeta aspectos técnicos importantes “ligados a hidráulica, carga orgânica e eficiência biológica do processo”. “Apesar desse cenário, o processo oferecido pela Solos Solution manteve o sistema estável e entregou eficiência satisfatória ao passo em que se tem apenas 45 dias de adequação microbiológica das lagoas, demonstrando a capacidade do processo de adaptação e retenção em situações adversas graças a bioaumentação de microrganismos.” JustiçaA Prefeitura de Goiânia aguarda uma resposta da Justiça ao pedido para que possa continuar enviando o chorume para a ETE da Saneago por tempo indeterminado até que o processo desenvolvido pela empresa mineira esteja completamente concluído. A previsão é de que esse serviço atinja sua plenitude em até 280 dias, porém o juiz plantonista Eduardo Walmory Sanches havia dado, em 2 de janeiro, 120 dias para o município conseguir uma solução para deixar de enviar o efluente para a estação no Goiânia 2. A decisão de Eduardo foi confirmada pela juíza Mariuccia Benício Soares Miguel, da 7ª Vara de Fazenda Pública Estadual de Goiânia, em fevereiro.A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Goiás havia determinado que a Saneago parasse, ainda em dezembro último, de receber o chorume por não possuir licença ambiental nem estrutura para isso. Após ficar quase um mês retendo o material nas lagoas, a Prefeitura conseguiu a decisão favorável prorrogando até maio a permissão.