Neste mês completam-se dois anos que a Praça do Trabalhador, entre os setores Central e Norte Ferroviário, em Goiânia, deveria ter sido revitalizada e entregue para uso pela Prefeitura de Goiânia, após a obra ter sido iniciada em junho de 2019. Essa já era a primeira promessa não cumprida pela gestão municipal, que previa a finalização da obra para setembro daquele ano. No entanto, o projeto, que é custeado em R$ 6,89 milhões, ainda não foi terminado e ganhou uma nova data estimada para sua finalização: março de 2022. Ao todo, já é a sexta vez que o Paço Municipal muda a data de entrega da Praça.A última promessa, feita em julho deste ano, era de entregar o local para o público, inclusive permitindo a realização das feiras Hippie e da Madrugada, em outubro passado. O contrato com a Construtora Ventuno, no entanto, deverá ser aditivado com mais 120 dias, permitindo que os 23% da obra que restam ser finalizados sejam feitos até março de 2022. No momento, não há pressão nem mesmo de feirantes para o fim da obra, visto que já em julho havia o posicionamento dos trabalhadores de não ocupar a praça neste período de final de ano.Isso porque há o entendimento de que a mudança na localização prejudicaria as vendas nesta que é a principal época para a arrecadação, pois é o período em que muitos varejistas de outras cidades e estados passam pela região da Rua 44 para a aquisição dos produtos a serem vendidos para o Natal. Já em julho, os feirantes reiteraram que se o espaço não fosse entregue em setembro não haveria a mudança no local da feira neste ano. Porém, a demora se dá por problemas do cumprimento do contrato com a Ventuno, já que a empresa estaria com o cronograma arrastado.Gestor administrativo da obra, Flávio Máximo, que é coordenador executivo da Unidade Executora do Puama da Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (Seplanh), explica que a obra não está parada, mas os trabalhos são lentos. “A empresa vem trabalhando, mas arrastando, só que a obra está em 77% e por isso a Prefeitura insiste no contrato. Se for fazer nova contratação, teremos uma lacuna de tempo, pode perder parte do que foi feito e aumentar o custo, só por isso ainda é mantido o contrato”, afirma.Entre a promessa de julho e esta agora, Máximo conta que o problema é que duas medições realizadas e pagas pela Prefeitura à empresa foram sequestradas pela Justiça contra a Ventuno em razão de problemas da empresa. “Já está desmobilizada e precisaria do recurso para manter a obra, mas teve isso e não conseguiu fazer”, conta. O gestor relata que tem pensado em quais ações poderiam ser feitas para agilizar a obra, como serviços que a Prefeitura poderia fazer diretamente.“Os principais problemas é o paver e o granito, que já foram comprados pela empresa e não há como fazer por nossa conta. De resto estamos pensando no que podemos assumir para agilizar o serviço. Se tivéssemos o paver, conseguiríamos instalar o que resta em até uma semana, por exemplo”, garante. Máximo pretende se reunir nesta semana com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) para a realização de serviços paliativos na praça.O problema é que, especialmente em dias chuvosos, os feirantes e frequentadores da Praça do Trabalhador sofrem com a lama e enxurrada. Isso ocorre com maior gravidade nas proximidades do Terminal Rodoviária, na obra do BRT Norte-Sul. “Precisamos nos debruçar por uma solução no local. Isso já é uma questão de honra”, afirma, ao dizer que a gestão entende que a demora na entrega na obra gera transtornos principalmente para os feirantes que ocupam o espaço.Presidente da Associação dos Feirantes da Feira Hippie, Waldivino da Silva confirma que a expectativa é para o uso da Praça do Trabalhador a partir de março. Ele conta também que nada está definido sobre como será a feira com o local revitalizado. Em julho, a Prefeitura, a partir da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec), formou um grupo de trabalho para definir o uso da Praça do Trabalhador. A expectativa era discutir como serão distribuídos os feirantes, o tamanho e tipo das barracas, horários e o que será feito no espaço quando não houver feira.Silva relata que as discussões ocorreram apenas até agosto, quando ainda se debatia acerca do modelo das barracas. “Não fomos mais chamados, ficou naquilo mesmo”, diz, ao confirmar que as definições deveriam ocorrer até o final do ano, para a ocupação em março. A Sedec informa que ainda não houve definição sobre o retorno da Praça e novas reuniões devem ocorrer em breve. Um dos problemas é a quantidade de feirantes, visto que um levantamento da associação aponta a existência de 5,7 mil bancas enquanto que a Sedec estima entre 3,5 mil e 3,8 mil. Na Praça reformulada, a expectativa é que se tenha espaço para acomodar cerca de 4 mil feirantes, a depender do modelo escolhido para a barraca.O presidente da associação afirma ainda que os feirantes não abrem mão de funcionar às sextas-feiras. “Nós perdemos o cliente do atacado, que vai embora na tarde de sexta, e o varejo não nos sustenta mais. Queremos já funcionar na sexta agora, nesse mês ainda”, diz. Ele conta que as duas primeiras semanas de novembro são as principais para as vendas do ano e que por isso seria necessário o funcionamento da Feira Hippie neste dia já nesta semana, o que ainda não foi autorizado.