-Imagem (1.326306) Foi sepultado às 17 horas de ontem no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia, o corpo do estudante Luan Vitor Oliveira Souza, de 19 anos, morto pelo agente da Polícia Civil Levy Moura de Souza, de 37, com um tiro no peito. O crime ocorreu no início da madrugada, dentro do Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia durante o show do cantor sertanejo Lucas Lucco. O disparo foi efetuado por uma arma pertencente à Polícia Civil e cautelada no nome do agente, que se apresentou no 17º Distrito Policial e foi liberado em seguida. Delegado-geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski determinou o afastamento do agente de suas funções até o fim das investigações. Centenas de pessoas, a grande maioria jovens, compareceram ao velório de Luan. O sentimento de todos era de revolta e indignação. Filho do meio do casal de microempresários Carlos Alberto e Hilda Ramos, pastores da Igreja de Deus no Brasil, no Parque das Flores, Região Norte da capital, ele assistia ao show de Lucas Lucco ao lado de amigos. “Estávamos todos lá atrás, de repente o Luan saiu e foi lá frente onde tinha uma briga. Ele viu o Duda caído e abaixou para segurar sua mão e puxar, foi quando o policial atirou. O Luan ainda gritou: Ai, ai, esse cara está louco, está armado. Ele me deu um tiro”, contou o amigo Lucas Ferreira, de 18, que também estava no show. Segundo Lucas, mesmo ferido, Luan correu muito no meio da multidão e o policial teria ainda efetuado cerca de cinco disparos. O estudante foi levado com vida para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) mas não resistiu. A confusão foi percebida por Lucas Lucco que deixou o palco, encerrando o show. Boletim de ocorrência No boletim de ocorrência da Polícia Militar consta que uma mulher teria afirmado que foi roubada por Luan e seu amigo Eduardo Batista da Silva, de 20, por isso seu namorado, o policial civil Levy, que é lotado na Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), teria atirado nos jovens. Depois de ser levado à central de flagrantes montada no Parque Agropecuário, o policial civil apresentou-se no 17º Distrito Policial, no Parque das Laranjeiras, que não possui plantão e disse que agiu em legítima defesa, depois que o estudante teria roubado o celular da namorada dele e batido em outro jovem. “Além da perda, estamos indignados com a difamação. É duro conhecer uma pessoa de caráter e de princípios cristãos e ela ser tratada dessa forma”, disse Yuri Silveira, designer gráfico. Um tio do jovem desabafou: “Essa bala não matou apenas o Luan, mas também o pai, a mãe, os irmãos dele e todos os membros da família.” Levy Moura de Souza manteve a versão da tentativa de roubo em entrevista a uma emissora de TV da capital. O agente policial disse que Luan estaria armado. “Tenta puxar a ficha criminal desse jovem. Veja se algum dia ele pisou numa delegacia. Houve um crime, se fosse uma pessoa comum, ficaria preso, mas como é um policial”, disse o amigo da família Willian Gonçalves de Souza. O delegado-geral João Carlos Gorski pediu uma investigação rigorosa do caso, que estará a cargo do delegado André Bottesini, da Delegacia de Homicídios. Inconformados com a perda de Luan, parentes e amigos sepultaram o jovem sob salvas de palmas e muito choro.-Imagem (Image_1.326265)