O Beco da Codorna, no Centro de Goiânia, enfrenta cenário de sujeira, mato alto e descuido, agravado pela falta de ações permanentes do poder público. Sem manutenção regular e sem políticas voltadas à ocupação da área, o espaço voltou a registrar acúmulo de lixo e descarte irregular de resíduos, situação que, segundo produtores culturais que atuam no local, se intensifica nos períodos em que não há atividades.Produtor cultural e artista, Jhony Robson dos Santos, conhecido como Bulacha, afirma que a ausência de iniciativas da Prefeitura, tanto na limpeza quanto no incentivo à cultura, contribui diretamente para o abandono do beco. “Quando não há atividade e não tem ninguém olhando, o lixo aparece, o mato cresce e o espaço fica largado”, relata. Ele destaca que não há uma rotina de limpeza nem ações contínuas voltadas para o uso cultural do local.Bulacha explica que a ocupação cultural funciona como um freio temporário ao abandono. Por outro lado, os problemas estruturais permanecem. Nos períodos em que o beco recebe oficinas, feiras, apresentações artísticas e atividades voltadas para famílias e crianças, o ambiente se mantém mais limpo e organizado. “Quando a gente está aqui, não fica bituca de cigarro no chão, a gente orienta as pessoas, cuida do espaço”, afirma. Ainda assim, ele ressalta que esse cuidado não deveria depender apenas da iniciativa de artistas e coletivos independentes.Em relação à revitalização, a defesa dos frequentadores do Beco da Codorna é melhorar a iluminação — a recuperação do piso, que já provocou quedas —, a limpeza regular e a retirada do mato. Ainda há necessidade de sinalização na entrada do beco, com placas indicando acesso e circulação de veículos, além da instalação de mobiliário urbano, como bancos, e de um banheiro público.Outra demanda apontada é a criação de infraestrutura mínima para atividades culturais, como pontos de energia que possam ser utilizados em feiras e eventos. Para o produtor Bulacha, esse conjunto de ações permitiria que o espaço fosse ocupado de forma contínua e segura, reduzindo o abandono. “São coisas básicas, mas que já mudariam completamente a relação das pessoas com o beco”, afirma.O produtor cultural lembra que o Beco da Codorna já foi um espaço de efervescência artística e convivência no Centro de Goiânia, mas que a falta de apoio institucional fez com que essas iniciativas fossem interrompidas ou reduzidas. Sem atividades e sem manutenção, o espaço perde vitalidade e volta a apresentar problemas de limpeza e conservação.Em postagem nas redes sociais, Bulacha mostra a situação e chega a pedir que um portão seja colocado no local. A publicação recebeu comentários de outros agentes culturais como Juliano Souza, que cobrou melhorias. “Piso não trepidante, drenagem adequada e canteiros interligados ao espaço seria o mínimo para que a população possa utilizar o espaço com dignidade, afirmou. “É um espaço tão bonito. Como deixa ficar assim, bem no Centro de Goiânia? Revitalizaram a Rua do Lazer, por que não fazem o mesmo aí? ”, questiona Severina Martinha Félix, também na rede social. “Nosso museu a céu aberto nessas condições”, lamenta o perfil Arte Sem Cura, do artesão José Amaro, entre os comentários no post. A reportagem esteve no local e confirmou o mato alto, lixo jogado nos cantos e até fezes humanas. Depois de ser questionada, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) mandou equipe para o local e deu início à limpeza. Vou trocar por “A Comurg não respondeu sobre a periodicidade e frequência do serviço”. A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) afirmou que não possui projetos voltados para o uso do espaço. Histórico Ao longo dos últimos 12 anos, o Beco da Codorna se consolidou como um espaço de efervescência cultural no Centro de Goiânia, impulsionado principalmente pela atuação de produtores culturais e artistas independentes. Antes disso, a área era pouco utilizada, funcionando durante o dia como estacionamento e espaço de carga e descarga.A mudança começou a partir da ocupação artística do local, que passou a receber intervenções visuais, grafites e eventos culturais. Um dos marcos dessa transformação foi a criação do Festival Beco, que chegou a atrair milhares de pessoas e colocou o espaço no circuito cultural da cidade. A partir daí, o beco passou a sediar apresentações de circo, teatro, shows, oficinas, feiras de arte e brechós, tornando-se um ponto de encontro para diferentes públicos. O local também abrigou atividades contínuas, como aulas de capoeira, oficinas de dança, encontros de artistas, ações voltadas ao público infantil e iniciativas de formação cultural.