-Imagem (1.327883) O Movimento Popular Terra Livre, formado por trabalhadores sem terra, montou acampamento em uma área próxima à Fazenda Córrego Rico, conhecida como Fazenda do Estado, entre o município de Araçu e o distrito de Ordália. A área, que tem 151 alqueires, é uma das 40 propriedades que serão vendidas pelo governo do Estado de Goiás. Os trabalhadores propõem que a fazenda não seja leiloada no dia 17 de junho, junto com os outros imóveis, e seja destinada à reforma agrária. Os primeiros militantes chegaram ao local na noite de segunda-feira. Até o final da tarde de ontem, doze famílias estavam no acampamento e, segundo informações de um militante, a previsão é que mais 30 pessoas cheguem ao local hoje. “Não estamos ameaçando invadir. Vamos ficar aqui para marcar o território, pois já encaminhamos um pedido para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ( Incra) há vários dias e uma carta para o governador do Estado”, afirma o agricultor Alvair Antonio de Souza de 45 anos. Viaturas da Polícia Militar estão no local para garantir a segurança e que os militantes não invadam a área. A fazenda, que já funcionou como Escola Fazenda do Estado até 1998, ficou em situação de abandono até 2004, quando foi cedida para uso da Fundação Pró-Cerrado. A organização não governamental utiliza a área até hoje para diversos programas, como a capacitação profissional através do projeto Jovem Gestor Rural, em que orienta filhos de pequenos agricultores a administrar as propriedades da família de forma sustentável; atividades de agropecuária e plantações comunitárias e também com a Comunidade Terapêutica Paulo de Tarso, que recebe cerca de 30 jovens carentes do sexo masculino, entre 18 e 24 anos. Trata-se de clínica que utiliza as atividades rurais para a reabilitação de viciados em álcool e drogas. A área também possui oito residências para funcionários, onde residem atualmente sete funcionários da fundação com suas famílias, como o vaqueiro Reginaldo Francisco da Silva (38). É ele quem cuida do gado da comunidade e reside no local há 13 anos, desde a época em que trabalhava para o governo. Apoio Silva relata que ainda não sabia da venda da área e que recebeu a visita dos militantes sem terra. “Eles pediram o nosso apoio, falaram que querem sensibilizar o governo a não vender a terra”, pontuou. Como diretor do projeto da ONG, Manoel Sérgio Alves Teixeira recebeu apenas um carta do movimento. No documento deixado no portão, os militantes pedem apoio e ressaltam que o termo de Cessão de Uso firmado com o Estado é precário e que pode ser interrompido a qualquer momento. A carta se apoia no fato da terra ser propriedade do Estado, que “demonstrando vontade política, não teria dificuldade em assentar as famílias”. Em outro trecho, os acampados registraram que a venda do imóvel, que pode ser arrematado por um grande fazendeiro, só iria contribuir para “a reafirmação da concentração de terras no País”. A reportagem do POPULAR entrou em contato com o presidente da Fundação Pró-Cerrado, Adair Antônio Meira, que reforçou a importância dos trabalhos realizados no local. “Esperamos que o comprador da área respeite o espaço utilizado pela ONG, pois é um espaço pequeno mediante o tamanho do terreno e o trabalho visa atender a comunidade vulnerável”, ressalta. Já a Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan) informou que ainda não tinha conhecimento sobre a possível invasão.-Imagem (Image_1.327805)